Estados Unidos planejam e constroem 116 mil MW em novas usinas de energia a gás
Os Estados Unidos planejam ou constroem 116.000 MW de usinas a gás para substituir o carvão. A tendência ocorre por eficiência técnica e custos operacionais, embora fontes eólica e solar apresentem custos de energia inferiores ao gás. Na Califórnia, baterias já substituem unidades a gás em períodos de pico

Os Estados Unidos possuem 116.000 MW de novas usinas a gás entre projetos em construção (18.000 MW) e etapas de planejamento e seleção de local (98.000 MW). O volume de investimentos reflete a escolha de concessionárias de energia pelo gás natural como substituto do carvão, impulsionada por indicadores de eficiência e custos operacionais.
A superioridade técnica do gás manifesta-se na taxa de calor: plantas de ciclo combinado demandam cerca de 7.500 BTUs para produzir 1 kWh, enquanto caldeiras a carvão necessitam de 10.000 BTUs. A logística também favorece o gás, transportado por gasodutos, ao contrário do carvão, que depende de ferrovias — custo que, em certos cenários, atinge metade do preço de uma tonelada entregue. Somam-se a isso a ausência de cinzas tóxicas e cronogramas de manutenção menos rigorosos do que os exigidos por frotas de carvão envelhecidas.
Apesar da tendência, a saída do carvão é gradual. A idade média das usinas desse combustível no país é de 45 anos, aproximando-se do limite de vida útil de 50 anos. O ritmo de desligamentos desacelerou devido ao aumento da demanda elétrica: em 2022, foram anunciados mais de 12 GW de desativações, volume que recuou para 2,6 GW no ano passado. Contudo, a ausência de anúncios de novas centrais a carvão confirma a obsolescência da fonte para a expansão da geração.
Atualmente, o gás enfrenta a mesma pressão econômica que derrubou o carvão, agora vinda de fontes eólica, solar e baterias. O Custo Nivelado de Energia (LCOE), que mensura investimento e operação ao longo da vida útil, coloca a eólica terrestre em US$ 29,58 por MWh e a solar fotovoltaica com baterias em US$ 53,44 por MWh. Ambos os valores são inferiores aos US$ 64,55 por MWh do gás de ciclo combinado e aos US$ 73 por MWh do carvão, conforme dados da Lazard. No extremo oposto, a eólica offshore e novas usinas nucleares registram custos próximos a US$ 88,16 por MWh, segundo a EIA.
Essa configuração gera um risco financeiro para as concessionárias: a possibilidade de ativos a gás tornarem-se prematuramente retidos, perdendo valor econômico para tecnologias com custo de combustível zero. Na Califórnia, esse movimento já é visível com a implementação de baterias para períodos de pico em substituição a unidades a gás, apresentando uma economia de 10% via LCOE.