Estados Unidos podem taxar produtos brasileiros em 25% até o dia 15 de julho
Os Estados Unidos podem taxar produtos brasileiros em 25% até 15 de julho, alegando barreiras comerciais. O governo brasileiro nega a existência de tais restrições e busca ampliar a lista de isenções. O senador Flávio Bolsonaro propôs tarifa zero para açúcar e etanol, medida rejeitada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
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O Brasil enfrenta a possibilidade de uma taxação de 25% sobre seus produtos, com prazo de definição fixado pelos Estados Unidos para o dia 15 de julho. A medida surge após a gestão de Donald Trump classificar como "irrazoáveis" práticas brasileiras que restringiriam o comércio bilateral, citando a pirataria, o desmatamento ilegal, falhas em leis anticorrupção e o funcionamento do PIX.
Em resposta formal enviada na última quinta-feira (2), o chanceler Mauro Vieira apresentou sete pontos argumentando que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) não comprovou a existência de barreiras comerciais ou políticas discriminatórias contra os norte-americanos. O governo brasileiro mantém a estratégia de conduzir as negociações por meio de conversas técnicas e de alto nível, optando por enviar representantes da embaixada como observadores às audiências públicas do USTR, em vez de se inscrever para discursar. A expectativa atual do Executivo é ampliar a lista de exceções de produtos que ficariam isentos da tarifa.
Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, participou de uma dessas audiências públicas na última terça-feira (7), acompanhado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Em sua intervenção, o senador defendeu os Estados Unidos e criticou a postura do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação à China. Flávio Bolsonaro afirmou possuir informações de bastidores que confirmam a aplicação da alíquota de 25% ao Brasil, embora tenha defendido o adiamento da medida por considerar o momento inadequado.
No documento escrito enviado ao USTR, o senador propôs um acordo de tarifa zero para o açúcar e o etanol, alegando assimetria tarifária entre as nações. A proposta diverge da posição do governo brasileiro, que observa que a tarifa atual sobre o etanol não viola compromissos bilaterais nem discrimina os Estados Unidos, sendo aplicada a todos os países sem acordos preferenciais.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, descartou a redução de tarifas sobre o etanol norte-americano nas negociações. Para o ministro, tal concessão representaria um risco econômico para a indústria sucroalcooleira, com impacto direto na região Nordeste. Durante sua fala na audiência, Flávio Bolsonaro não abordou a proteção de propriedade intelectual, o desmatamento ou o acesso ao mercado de etanol, temas centrais da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.