Economia

Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por restrições ao comércio americano

09 de Julho de 2026 às 06:09

Os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, com decisão final prevista para 15 de julho. O governo brasileiro rebateu a medida, apresentando a oposição de 43 entidades americanas. O processo inclui audiências públicas e exceções para produtos como aeronaves, medicamentos e café

O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado americano, após concluir que o Brasil adota práticas que restringem ou oneram o comércio com empresas dos EUA. A medida, que ainda depende de consultas públicas e etapas legislativas, tem previsão de decisão final até 15 de julho.

Em resposta oficial ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o chanceler Mauro Vieira rebateu as acusações. No documento, o Ministério das Relações Exteriores apresentou um mapeamento de 43 empresas e associações comerciais americanas que se posicionaram contra a tarifação. Essas entidades argumentam que não existem substitutos domésticos para os produtos brasileiros e que a taxação elevaria os custos para a indústria e para os consumidores nos Estados Unidos, especialmente para quem utiliza esses itens como insumos.

A investigação do USTR fundamenta a proposta de taxação em diversos pontos, incluindo o funcionamento do PIX, decisões judiciais sobre redes sociais, acordos comerciais com terceiros países, barreiras ao etanol americano, falhas no combate ao desmatamento ilegal e à corrupção, além de problemas com a proteção da propriedade intelectual. Apesar disso, os EUA listaram exceções para produtos estratégicos, como aeronaves e peças, medicamentos, fertilizantes, frutas, certas carnes, café e minerais estratégicos.

As audiências públicas do processo começaram na segunda-feira (6), com a participação de representantes de setores como papel, calçados, mel, rochas ornamentais, madeira, ferro-gusa, açúcar, arroz, café e etanol de milho. Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), destacou que a medida prejudicaria ambas as economias, afetando a competitividade brasileira e o setor produtivo americano. Ele apontou que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor patamar histórico, enquanto as importações brasileiras vindas dos EUA recuaram 11% no mesmo intervalo.

Há a percepção entre as empresas participantes das audiências de que a adoção de novas tarifas é inevitável, embora exista a expectativa de que o alcance da medida seja calibrado. Um dos argumentos centrais é que o encarecimento dos produtos brasileiros poderia aumentar a dependência das cadeias produtivas dos Estados Unidos em relação a insumos da China, contrariando a estratégia comercial da gestão de Donald Trump.

Com informações de G1

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