Estados Unidos propõem tarifas de 12,5% sobre produtos de 60 economias por suspeita de trabalho forçado
Os Estados Unidos propuseram tarifas de 12,5% sobre importações de cerca de 60 economias, incluindo Brasil e China, devido à falta de fiscalização contra o trabalho forçado. A medida, baseada na Lei de Comércio de 1974, passará por consultas públicas e audiências em julho antes de uma decisão final
O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos importados de cerca de 60 economias, incluindo Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, fundamenta-se em uma investigação concluída na última terça-feira (2), que apontou a ausência de mecanismos eficazes de proibição e fiscalização de mercadorias produzidas via trabalho forçado nesses países.
Washington argumenta que tal lacuna regulatória gera concorrência desleal para a indústria e os trabalhadores americanos, além de sustentar a prática do trabalho escravo moderno em cadeias globais de suprimentos. No caso específico do Brasil, a mesma base legal da Seção 301 já havia sido utilizada para justificar uma proposta de tarifa de 25%. Ainda não há definição se as novas sobretaxas de 12,5% serão cumulativas.
A China manifestou oposição às tarifas unilaterais nesta quarta-feira (3) e negou as acusações de uso de trabalho forçado, classificando as alegações de Washington como sem base. O Reino Unido, por sua vez, informou que mantém diálogos com os Estados Unidos e que implementa medidas para combater o trabalho forçado em suas produções domésticas e globais.
A proposta americana não está em vigor. O governo dos EUA abrirá prazo para contribuições públicas até 6 de julho e realizará audiências no dia 7 de julho antes de decidir pela implementação das tarifas.
No cenário financeiro, as bolsas asiáticas apresentaram desempenho misto. O índice Hang Seng, em Hong Kong, recuou 1,6%, enquanto as bolsas da China continental registraram alta, com o CSI300 subindo 0,5% e o índice de Xangai avançando 0,2%. O setor de semicondutores teve ganhos impulsionados pela demanda por inteligência artificial.
Paralelamente às tensões comerciais, o setor de serviços chinês registrou em maio o crescimento mais forte em três meses, resultado da melhora na demanda externa e de novos negócios. Com base na exposição ao setor tecnológico e nas perspectivas de crescimento, o Goldman Sachs manteve a visão positiva sobre as ações chinesas A-share.