Estados Unidos recomendam tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após investigação de práticas comerciais
O escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após investigação sobre práticas comerciais. A proposta prevê exceções para itens não produzidos nos EUA, café e indústria aeronáutica. A medida definitiva depende de consulta popular e do cenário político brasileiro
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/B/f/ZVBwnsSfaALv8RWxbihw/68aced90-5e89-11f1-8b8c-6d33e1d5abb6.jpg.webp)
A implementação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros é a recomendação do escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após a conclusão de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O documento de 107 páginas, divulgado nesta segunda-feira (1), classifica práticas do governo brasileiro como "irrazoáveis", alegando que elas restringem ou oneram o comércio norte-americano.
As críticas dos Estados Unidos concentram-se em seis áreas, incluindo propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso a mercado, meios eletrônicos de pagamento e comércio digital. O relatório destaca que o Pix prejudica empresas americanas de pagamentos eletrônicos ao favorecer o sistema nacional brasileiro.
Embora a proposta sugira a taxação generalizada, o USTR listou exceções para itens que não são produzidos nos EUA, produtos que poderiam elevar a inflação interna ou cuja tributação não alteraria as práticas brasileiras. Setores como a indústria aeronáutica e o café estão protegidos, o que deve limitar o impacto imediato da medida. Contudo, a manufatura de média complexidade permanece vulnerável por não integrar essas exceções.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) alerta que a concretização dessas tarifas elevaria custos e reduziria a competitividade do Brasil, criando barreiras aos investimentos e ao comércio bilateral. Abrão Neto, presidente da entidade, defende a intensificação dos esforços diplomáticos nas próximas semanas para evitar que as exportações brasileiras sofram desvantagens em relação a concorrentes internacionais, ressaltando que o relatório ainda não é final.
O cenário de incerteza é agravado por outra investigação da Seção 301, com relatório previsto para as próximas semanas, que apura o uso de trabalho forçado em importações e pode resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, inclusive o Brasil.
Somado a isso, a classificação recente de facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas pelos Estados Unidos amplia a tensão bilateral. Esse conjunto de fatores pode levar empresas multinacionais a suspenderem investimentos no curto prazo. A aplicação definitiva das tarifas ainda depende de consulta popular e da evolução do cenário político brasileiro após as eleições.