Economia

EUA incluem PCC e Comando Vermelho em listas de terroristas e podem sancionar bancos brasileiros

30 de Maio de 2026 às 08:15

Estados Unidos incluíram o PCC e o Comando Vermelho em listas de terroristas, o que possibilita sanções a cidadãos e bancos brasileiros que processem recursos desses grupos. A medida, implementada por Donald Trump em 2025, permite o congelamento de ativos e a proibição de transações com entidades americanas

A inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) nas listas de terroristas dos Estados Unidos pode acarretar sanções econômicas graves ao Brasil, especialmente devido à integração do sistema financeiro nacional com o mercado americano. As facções foram inseridas em duas categorias: a de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), com foco em operações dentro dos EUA, e a de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). Esta última amplia a jurisdição americana, permitindo o processamento cível e criminal de cidadãos de países terceiros — incluindo empresários, banqueiros e políticos — que mantenham relações com tais grupos, mesmo que as transações ocorram exclusivamente em território brasileiro.

O risco econômico reside na infiltração do crime organizado na economia formal. A Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em 2025 e com desdobramentos em 2026, revelou que o PCC utiliza fintechs para misturar capitais lícitos e ilícitos em "contas-bolsões" depositadas em grandes instituições financeiras. O esquema também abrange o setor de combustíveis; transações entre postos ligados à facção e empresas como a Copape teriam destinado recursos para a gestora Reag. A partir daí, o capital chegaria ao Banco Master e, consequentemente, a grandes bancos nacionais que operam com instituições dos Estados Unidos.

Nesse cenário, a interpretação rigorosa da classificação de terrorismo permitiria que o governo americano sancionasse bancos brasileiros que não tiveram contato direto com criminosos, mas que processaram fundos originados do crime. As punições podem variar desde o congelamento de ativos até a proibição total de transações com entidades americanas. O impacto pode se estender a setores como o agronegócio — onde transportadoras de soja podem ser usadas para lavagem de dinheiro —, a Bolsa de Valores, empresas de tecnologia e o turismo no Rio de Janeiro.

A medida faz parte de uma estratégia implementada por Donald Trump ao assumir o mandato em 2025, via ordem executiva para incluir o crime organizado em listas de terrorismo, citando anteriormente o cartel de Sinaloa (México), o Trem de Araguaia (Venezuela) e o Mara Salvatrucha (El Salvador). Embora o PCC já constasse desde 2021 em uma lista do Departamento do Tesouro como organização criminosa internacional, tal classificação focava em confiscos e prisões dentro dos EUA e teve resultados limitados, dado que a presença física da facção em solo americano é considerada irrisória. A nova designação altera a narrativa para a "guerra contra o terrorismo", o que justifica maiores interferências nos sistemas políticos de outras nações.

Em contrapartida, representantes do setor bancário brasileiro argumentam que as instituições possuem programas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro robustos, sugerindo que apenas as fintechs que negligenciam tais normas seriam afetadas. Paralelamente, o Banco Central tem implementado regras para aprimorar o rastreio de recursos e a identificação da origem do capital no sistema financeiro.

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