Economia

Fechamento do estreito de Ormuz impulsiona tráfego de navios no canal do Panamá em 11%

19 de Maio de 2026 às 09:37

O fechamento do estreito de Ormuz elevou em 11% o tráfego no canal do Panamá, com picos de 20%. A Autoridade do canal prevê aumento de receita entre 10% e 15% devido ao maior volume de navios de petróleo e gás. No ano fiscal de 2025, a operação gerou US$ 5,7 bilhões

Fechamento do estreito de Ormuz impulsiona tráfego de navios no canal do Panamá em 11%
Getty Images via BBC

O fechamento do estreito de Ormuz, principal rota global de transporte de combustíveis, impulsionou a movimentação no canal do Panamá, que registrou alta de 11% no tráfego desde o início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro. Em períodos de pico de demanda, o crescimento na passagem de navios pela hidrovia atingiu 20%.

A receita da Autoridade do canal do Panamá deve crescer entre 10% e 15%, reflexo do maior volume de tráfego e da arrecadação via leilões de vagas, mecanismo utilizado por empresas sem reserva antecipada para agilizar a travessia. As tarifas variam conforme o tamanho da embarcação, volume e tipo de carga, com casos excepcionais em que navios de transporte de gás pagaram US$ 4 milhões pela passagem, e outros preços que chegaram a dobrar devido à urgência dos destinos.

O cenário de crise energética elevou a demanda por petróleo bruto, fazendo com que navios de gás natural liquefeito e petróleo desloquem parcialmente porta-contêineres, cargueiros de grãos e navios frigoríficos nas últimas semanas. O fluxo de petróleo americano pela via panamenha aproxima-se do maior nível em quatro anos, impulsionado por refinarias asiáticas que buscam garantir o abastecimento.

Essa mudança de rota implica custos logísticos mais elevados, dado que o trajeto dos Estados Unidos para a Ásia é mais longo, possui pedágios superiores e apresenta atrasos crescentes nas eclusas quando comparado ao trajeto por Ormuz. A situação evidencia a fragilidade das cadeias globais de abastecimento e a necessidade de diversificação de rotas, revisão de estoques e adoção de tecnologias de monitoramento de navios.

No âmbito macroeconômico, o canal do Panamá, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico em uma extensão de 80 quilômetros, processa cerca de 3% do comércio marítimo mundial. Após enfrentar secas severas em 2023, a hidrovia agora conta com chuvas favoráveis para absorver a demanda extraordinária.

No ano fiscal de 2025, a operação gerou receitas de US$ 5,7 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 3 bilhões foram transferidos diretamente ao Tesouro Nacional do Panamá, conforme prevê a Constituição do país para os lucros líquidos após custos operacionais e investimentos. Essa contribuição direta representou 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) panamenho, sem contar os impactos indiretos em atividades ferroviárias, portuárias, na indústria logística e no comércio da Zona Livre de Colón.

Além do canal, o conflito no Irã beneficiou a indústria armamentista, grandes bancos de investimento e empresas de petróleo e gás. No caso panamenho, a instabilidade no Oriente Médio pode resultar em uma injeção de recursos imprevista nos cofres públicos caso as receitas e lucros superem os patamares históricos.

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