Economia

Federal Reserve mantém taxa de juros nos Estados Unidos e projeta alta até o fim do ano

17 de Junho de 2026 às 18:05

O Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano nesta quarta-feira (17). A decisão unânime ocorre sob a nova presidência de Kevin Warsh, com projeções de alta de 0,25 ponto percentual até o fim do ano devido à inflação

Federal Reserve mantém taxa de juros nos Estados Unidos e projeta alta até o fim do ano
REUTERS/Evelyn Hockstein

O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros own dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, o patamar mais baixo registrado desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (17), foi aprovada por unanimidade pelos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e marca a quinta reunião consecutiva sem alterações nos juros.

Apesar da manutenção atual, as projeções do banco central indicam que a taxa básica deve subir 0,25 ponto percentual até o encerramento deste ano. O cenário reflete a revisão para cima das estimativas de inflação, que para o fim de 2026 passou de 2,7% para 3,6%. A expectativa é que os preços desacelerem nos anos seguintes, com a inflação projetada em 2,3% em 2027, permitindo que os juros retornem ao nível atual até o fim daquele ano e recuem ainda mais em 2028.

O movimento ocorre em um contexto de economia aquecida, com o mercado de trabalho estável e a geração de empregos acompanhando a força de trabalho. Em maio, foram criadas 172 mil vagas, mantendo o desemprego em 4,3% e com salários avançando 3,4% ao ano. Contudo, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento anualizado de 1,6% no último trimestre, resultado inferior aos 2% projetados.

A inflação permanece como o principal desafio, situando-se acima da meta de 2%. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) acumulou alta de 4,2% em 12 meses, o maior nível em três anos, impulsionado pelos custos de energia e pelos conflitos no Oriente Médio. O núcleo do CPI está em 2,9%, enquanto o núcleo do PCE, indicador preferencial do Fed, registra 3,3%.

A reunião marcou a estreia de Kevin Warsh na presidência da autoridade monetária. Indicado por Donald Trump, Warsh tomou posse em 22 de maio para um mandato de quatro anos. Em entrevista, o novo presidente afirmou que o comunicado do Fomc não detalhou os próximos passos por considerar a sinalização inadequada ao cenário atual, reforçando que as decisões dependerão dos dados econômicos.

Esta é a 12ª decisão de juros desde que Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde então, foram realizados três cortes nas taxas. Embora Trump tenha defendido publicamente juros mais baixos para evitar o encarecimento do crédito, ele declarou recentemente que Warsh tem autonomia em suas decisões.

O cenário monetário americano impacta diretamente a economia brasileira. A manutenção de juros elevados nos EUA torna os títulos do Tesouro americano (Treasuries) mais atrativos, o que favorece a migração de capital para o mercado estadunidense e fortalece o dólar. Esse fluxo pressiona a desvalorização do real e encarece insumos importados, elevando a inflação no Brasil e restringindo a margem do Banco Central brasileiro para reduzir a taxa Selic.

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