Economia

FIFA projeta arrecadar até 13 bilhões de dólares no ciclo entre 2023 e 2026

18 de Julho de 2026 às 06:12

A FIFA projeta arrecadar até US$ 13 bilhões entre 2023 e 2026, com receitas de marketing estimadas em US$ 1,8 bilhão. O modelo de negócios agora integra instituições financeiras, empresas de tecnologia e estatais, como a Aramco

A FIFA projeta arrecadar até US$ 13 bilhões para o ciclo entre 2023 e 2026, valor que supera em cinco vezes o montante registrado há duas décadas. Nesse mesmo intervalo, as receitas provenientes de direitos de marketing devem saltar de US$ 560 milhões para US$ 1,8 bilhão.

A expansão financeira é acompanhada por uma mudança no perfil dos investidores. O Mundial deixou de ser exclusividade de multinacionais tradicionais, como Coca-Cola, Adidas e Unilever, para integrar instituições financeiras, empresas de tecnologia e estatais que operam como braços de estratégias governamentais. Exemplos recentes incluem a presença do Bank of America, Verizon, Qatar Airways e a petrolífera Aramco.

Reestruturação do modelo de negócios

A diversificação das fontes de receita é resultado de uma reorganização na venda de espaços comerciais. A FIFA estabeleceu três níveis hierárquicos de patrocínio:

  • FIFA Partners: Detêm direitos globais e contratos de longo prazo para múltiplas competições.
  • Patrocinadores da Copa: Possuem direitos limitados a uma edição específica do torneio.
  • Apoiadores regionais e fornecedores locais: Ocupam a base da pirâmide comercial.

Esse modelo de expansão começou a ser delineado na década de 1970, sob a gestão de João Havelange, ampliando a visão de Stanley Rous sobre a aproximação entre a entidade e o setor corporativo. Até os anos 2000, o patrocínio era concentrado; a partir de 2010 e 2014, a segmentação por categorias consolidou a abertura para novos perfis de empresas.

Geopolítica e "Sportswashing"

Historicamente, entre 2006 e 2014, a projeção internacional concentrava-se nos países-sede. Alemanha, África do Sul e Brasil utilizaram o evento para demonstrar estabilidade e potencial econômico. A África do Sul buscou evidenciar a reconstrução pós-apartheid, enquanto o Brasil tentou se posicionar como um mercado de oportunidades após crises econômicas e o período da ditadura.

A partir de 2018, esse equilíbrio mudou. A Rússia introduziu a estatal Gazprom como parceira global, e o Catar, em 2022, incluiu a QatarEnergy e a Qatar Airways entre os principais patrocinadores. Esse fenômeno é classificado como sportswashing, onde o esporte é utilizado para melhorar a imagem de governos ou empresas, muitas vezes mascarando problemas sociais ou de direitos humanos.

O cenário para 2026

A próxima edição, organizada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, dilui o protagonismo do país anfitrião e intensifica a disputa por influência global dentro da estrutura da FIFA.

A Arábia Saudita exemplifica essa tendência através da Aramco. A petrolífera, avaliada em aproximadamente US$ 1,88 trilhão, ocupa a categoria mais alta de patrocínio com um contrato estimado em US$ 100 milhões anuais entre 2024 e 2034. A movimentação faz parte de uma estratégia maior do reino, que soma cerca de 300 patrocínios esportivos via Fundo de Investimento Público (PIF).

A configuração de 2026 reflete a transição de interesses puramente econômicos para disputas geopolíticas. O uso do torneio agora se alinha a lógicas de poder, como o hard power exercido pelos Estados Unidos para preservar sua influência internacional diante do crescimento tecnológico e econômico da China.

Quanto à gestão dos recursos, a FIFA, registrada na Suíça como associação sem fins lucrativos, afirma reinvestir os valores no futebol. Contudo, a entidade implementou novas regras de fiscalização e controle após enfrentar crises de transparência e corrupção na última década.

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