Economia

Fundo de US$ 300 bilhões será criado para estimular investimentos em infraestrutura no Irã

16 de Junho de 2026 às 18:09

Um fundo privado de US$ 300 bilhões foi criado para investir em infraestrutura, energia e manufatura no Irã, com mediação do Paquistão. A implementação depende de um acordo definitivo e do desmantelamento do programa nuclear iraniano. O pacto prevê cessar-fogo por 60 dias, fim do bloqueio americano e reabertura do Estreito de Ormuz

Fundo de US$ 300 bilhões será criado para estimular investimentos em infraestrutura no Irã
Hussein Malla/AP

Um fundo privado de US$ 300 bilhões, denominado Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento, foi estruturado para estimular investimentos no Irã como parte de um acordo-quadro com os Estados Unidos. Mais da metade desse montante já possui compromissos de investimento, com a participação de empresas da Coreia do Sul, Japão, Singapura, Malásia e dos próprios Estados Unidos. O mecanismo financeiro é independente das negociações sobre a liberação de ativos soberanos iranianos congelados e da suspensão de sanções americanas.

O fundo surge como alternativa a um pedido inicial de Teerã por US$ 400 bilhões em compensações pelos danos de guerra, valor que Washington recusou. A operação prevê a contribuição de países da região por meio de financiamento direto para a reconstrução de infraestruturas, como aeroportos, refinarias e o complexo siderúrgico Mobarakeh Steel, além da abertura de linhas de crédito e garantias de empréstimos. Os aportes serão destinados aos setores de transporte, logística, manufatura e energia.

A implementação do fundo está condicionada à assinatura de um entendimento definitivo, prevista para sexta-feira, e ao cumprimento de exigências por parte do Irã. Entre as contrapartidas exigidas por Washington estão a eliminação do estoque de material enriquecido, o desmantelamento do programa nuclear e a aceitação de um regime rigoroso de fiscalização e inspeção.

O acordo geral estabelece um cessar-fogo de 60 dias, período em que negociadores trabalharão em frentes simultâneas sobre segurança regional, sanções e a questão nuclear. Este memorando de entendimento servirá para estruturar o processo nos próximos dois meses, embora a gestão e a administração do fundo ainda não tenham sido definidas.

A iniciativa visa reintegrar o Irã aos mercados globais de capitais, de onde o país esteve afastado por quatro décadas devido a sanções internacionais. Com uma população de 92 milhões de habitantes e base industrial diversificada, o país detém a quarta maior reserva de petróleo e a segunda maior de gás natural do mundo, apresentando potencial nos setores de mineração, petroquímica, agricultura e turismo.

O pacto, anunciado no domingo, prevê o fim do bloqueio americano e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para o suprimento global de gás e petróleo, encerrando o conflito iniciado em 28 de fevereiro com ataques de forças americanas e israelenses ao território iraniano. O Paquistão atuou na mediação do acordo relacionado ao fundo de investimentos.

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