Economia

Governo brasileiro afirma que não negociará termos do PIX diante de contestação dos Estados Unidos

02 de Junho de 2026 às 15:05

O Banco Central registrou R$ 35,36 trilhões em movimentações via PIX no ano passado, com 79,8 bilhões de transações em 2025. O governo brasileiro afirmou que não negociará os termos do sistema diante de investigações comerciais e proposta de tarifa de 25% dos Estados Unidos

O Banco Central registrou recorde de movimentações via PIX no ano passado, totalizando R$ 35,36 trilhões, o que representa um crescimento de 33,6% em relação aos R$ 26,46 trilhões transacionados em 2024. O volume de operações também subiu, atingindo 79,8 bilhões de transações em 2025, contra 63,5 bilhões no período anterior. De acordo com Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, a ferramenta promoveu a inclusão financeira de milhares de pessoas e atingiu a marca de ser utilizada por quase toda a população adulta do país em novembro de 2025.

Apesar do desempenho, o sistema é alvo de contestações dos Estados Unidos. O governo americano alega que o Banco Central do Brasil atua simultaneamente como regulador e operador, o que prejudicaria empresas norte-americanas do setor de pagamentos. Essa investigação comercial, conduzida pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR), começou em julho de 2025 sob a premissa de que o Brasil adota práticas que restringem o comércio bilateral em serviços de pagamento eletrônico e digital. Como consequência, os EUA propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2) que o governo não negociará os termos do PIX e que a ferramenta será protegida, classificando a postura da família Bolsonaro como contrária ao sistema. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, também defenderam o mecanismo. Alckmin descreveu a proposta tarifária como injusta e definiu o PIX como um patrimônio nacional gratuito e a serviço da sociedade.

Para este ano, o Banco Central implementará a cobrança híbrida, tornando obrigatória a partir de novembro a possibilidade de pagar via QR code cobranças que também ofereçam boleto. Estão previstas ainda a funcionalidade de duplicatas para facilitar a antecipação de recebíveis e a adequação do sistema ao split tributário da Receita Federal, permitindo que a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) seja paga no ato da compra a partir de 2027.

A longo prazo, com previsão para 2027 e dependendo de recursos, o BC planeja a implementação definitiva de pagamentos transfronteiriços para interligar sistemas instantâneos entre países, expandindo a aceitação atual em locais como Portugal, Argentina e cidades dos EUA. Outras metas incluem o PIX por aproximação em modo offline e o PIX em garantia, que permitiria a autônomos e empreendedores utilizar recebíveis futuros para obter empréstimos com juros menores.

Paralelamente, o Banco Central discute a padronização de regras para o PIX Parcelado. A medida visa criar uma alternativa de crédito formal para 60 milhões de brasileiros que não possuem cartão de crédito, buscando ampliar a competição entre instituições financeiras e reduzir as taxas de juros, embora a padronização ainda não tenha prazo definido.

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