Governo brasileiro avalia como improvável evitar a aplicação de tarifas pelos Estados Unidos
O governo brasileiro prevê a aplicação de tarifas pelos Estados Unidos, com decisão prevista para esta quarta-feira (15). A gestão federal planeja utilizar a medida em estratégia eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro. O Brasil blindou temas como o etanol e o Pix durante as negociações
O governo brasileiro trabalha com a probabilidade de que os Estados Unidos implementem a aplicação de tarifas contra o país, apesar das declarações públicas do presidente Lula no sentido contrário. A área técnica da gestão federal avalia que é improvável obter uma vitória nas negociações para impedir a medida, cujo prazo de decisão termina nesta quarta-feira (15).
Estratégia de resposta e entraves técnicos
Diante do cenário desfavorável, a discussão interna agora foca na reação institucional e nas ações a serem tomadas após a confirmação do "tarifaço". O Brasil buscou evitar a medida por meio de canais diplomáticos e conversas governamentais, mas a utilização da Seção 301 pelos americanos conferiu maior sustentação jurídica à decisão dos Estados Unidos, dificultando a reversão do processo.
A leitura do governo é que os argumentos técnicos brasileiros foram ignorados, pois a decisão americana teria sido pautada por motivações políticas desde o início. Nesse contexto, o Brasil blindou temas considerados inegociáveis, como o etanol e o Pix.
Impacto político e eleitoral
A gestão federal planeja converter o embate econômico em um ativo para a campanha eleitoral, associando a pressão americana à atuação de figuras da oposição. O foco da estratégia governista recai sobre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e o deputado Eduardo Bolsonaro.
O governo fundamenta essa narrativa nos seguintes pontos:
- Pedido de adiamento: Em carta enviada aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro solicitou que as tarifas fossem adiadas, mas não defendeu a anulação da medida. O governo interpreta que a intenção era evitar impactos econômicos antes do pleito.
- Atuação direta: A participação do senador em audiência pública nos Estados Unidos e as declarações de Eduardo Bolsonaro sobre o Pix serão utilizadas para sustentar que a oposição contribuiu para a pressão externa contra o Brasil.