Economia

Governo brasileiro critica proposta dos Estados Unidos de implementar novas tarifas sobre produtos nacionais

02 de Junho de 2026 às 15:05

O governo brasileiro contestou a proposta dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas a produtos nacionais após investigação do USTR. O Executivo baseou a crítica em dados de superávit comercial norte-americano e isenções fiscais a importações dos EUA. Caso as taxas sejam implementadas, o Brasil utilizará a Lei de Reciprocidade para adotar medidas equivalentes

O governo brasileiro manifestou indignação, em nota publicada nesta terça-feira (2), contra a proposta dos Estados Unidos de implementar novas tarifas sobre produtos nacionais. A medida ocorre após a conclusão de uma investigação preliminar do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), iniciada em 15 de julho de 2025, que sugere a existência de práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

O Executivo fundamenta a contestação em indicadores de balança comercial, destacando que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil entre 2011 e 2025. No ano anterior, o superávit comercial norte-americano em bens foi de US$ 14,46 bilhões, saltando para US$ 40,52 bilhões ao incluir a prestação de serviços.

A nota detalha a abertura do mercado brasileiro, informando que 76% das importações vindas dos EUA em 2025 entraram no país com isenção de imposto. A alíquota média cobrada de produtos norte-americanos foi de 3,1%, com tarifa zero para oito dos dez principais itens importados, a exemplo de gás natural, carvão, aeronaves, petróleo e seus derivados.

O impacto dessas tensões já é visível nos indicadores de exportação: no primeiro trimestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas vendas externas brasileiras recuou para 9,4%, o menor patamar da série histórica.

O governo classifica as medidas como injustificáveis e politicamente motivadas, atribuindo a sabotagem dos diálogos entre os presidentes Lula e Trump a articulações da família Bolsonaro e a interferências externas, citando a viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou a posição em coletiva de imprensa, definindo a proposta do USTR como injusta.

Entre os pontos contestados pelo Brasil estão as recomendações sobre o PIX, defendido como infraestrutura pública neutra e gratuita, e a questão da propriedade intelectual, na qual os EUA detêm 30% dos pedidos de patente no país e receberam US$ 1,38 bilhão em royalties em 2024.

Sobre o setor de biocombustíveis, o governo aponta que o Brasil aplica 18% de tarifa ao etanol americano, enquanto os EUA taxam o brasileiro em 12,5%. Em contrapartida, o açúcar brasileiro enfrenta barreiras severas, com cota de 150 mil toneladas e tarifa de US$ 340 por tonelada acima desse limite, o que equivale a 80%.

No campo ambiental, o Brasil apresentou a redução de 50% do desmatamento na Amazônia Legal em relação a 2022 e a queda de 40% na área queimada em 2025 comparada à média de 2017-2024. Dados do MapBiomas indicam que o desmatamento nos seis biomas brasileiros atingiu o menor nível em sete anos em 2025.

O governo informou que mantém negociações tarifárias, acordadas em reunião presencial entre Lula e Trump em 7 de maio, visando encerrar a investigação da Seção 301 até 15 de julho sem a imposição de sanções. Caso as tarifas sejam efetivadas, o Brasil afirma que utilizará a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, para adotar medidas equivalentes.

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