Governo brasileiro define 15 de julho como prazo para tentar reverter tarifas impostas pelos Estados Unidos
O governo brasileiro busca reverter tarifas dos Estados Unidos até 15 de julho por meio de argumentos técnicos. O Ministério das Relações Exteriores formalizou resposta a investigação comercial norte-americana, contestando a natureza das críticas ao sistema PIX e ao Judiciário
O governo brasileiro trabalha com o prazo de 15 de julho para tentar reverter o pacote de tarifas impostas pelos Estados Unidos, embora auxiliares da Presidência não acreditem mais em uma anulação completa da medida. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva manterá as negociações, priorizando argumentos técnicos e dados comerciais em detrimento de questões ideológicas.
Em conversa realizada nesta quinta-feira (2) com Jamieson Greer, representante do escritório comercial da Casa Branca, o ministro destacou que o diálogo tem sido prejudicado por interferências externas. Elias Rosa citou como obstáculos a ordem executiva de julho do ano passado, que vinculava a imposição de tarifas de 10% e 40% a interferências no julgamento do Supremo Tribunal Federal, além de manifestações de ex-autoridades brasileiras que teriam incentivado ou celebrado as sanções. O governo Lula associa essas pressões tarifárias a articulações da família Bolsonaro, especificamente do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que agradeceu publicamente a Trump quando foi estabelecida uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros no ano anterior.
No campo diplomático, o Ministério das Relações Exteriores formalizou, na última quarta-feira (1), a resposta oficial à investigação dos Estados Unidos sobre as práticas comerciais do Brasil. No documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o governo brasileiro argumenta que as críticas americanas ao sistema PIX e a decisões do Judiciário brasileiro refletem divergências políticas internas e não possuem natureza comercial.
Diplomatas do Itamaraty avaliam que a investigação conduzida pelos EUA, baseada na seção 301, possui caráter político. A análise baseia-se no fato de que os documentos de recomendação final, de junho de 2026, são praticamente idênticos aos alegações iniciais de julho de 2025. Isso indica que as evidências técnicas apresentadas por delegações brasileiras em Washington — incluindo dados sobre a redução do desmatamento no atual governo em comparação à gestão anterior — foram ignoradas pelos negociadores norte-americanos.