Governo brasileiro emitirá títulos públicos em yuan para captar recursos no mercado financeiro da China
O governo brasileiro emitirá títulos públicos em yuan entre 24 e 26 de junho para captar recursos na China. A operação, formalizada em visita de autoridades a Pequim e Xangai, visa diversificar o financiamento e reduzir a dependência do dólar
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O governo brasileiro deve anunciar, entre os dias 24 e 26 de junho, a emissão de títulos públicos em yuan para captar recursos no mercado financeiro da China. A operação, que marca a estreia do país no uso de Panda Bonds, será formalizada durante visita de autoridades brasileiras a Pequim e Xangai, com agenda liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A estratégia do Ministério da Fazenda visa diversificar as fontes de financiamento e ampliar a presença internacional do Brasil, reduzindo a dependência do dólar ao acessar investidores chineses. O movimento sucede a primeira emissão de títulos em euros desde 2014, realizada em abril, quando o governo captou 5 bilhões de euros (aproximadamente R$ 29 bilhões).
A iniciativa ocorre em um cenário de consolidação do Brasil como o principal destino global de investimentos chineses. No ano passado, o país atraiu US$ 6,1 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) em novos negócios e projetos, o que representa 10,9% de todo o capital chinês investido no exterior, superando nações como Cazaquistão, Indonésia e Estados Unidos. O Brasil é, inclusive, o único país a se manter entre os cinco maiores receptores de capital da China nos últimos cinco anos.
O fortalecimento dos laços econômicos com o principal parceiro comercial do Brasil acontece simultaneamente a tensões com os Estados Unidos, motivadas pela proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros e pela classificação de facções criminosas nacionais como organizações terroristas pelo governo de Donald Trump.
Além da captação financeira, a agenda bilateral incluirá a reunião de um subcomitê financeiro e a apresentação de projetos de sustentabilidade para atrair capital chinês para setores estratégicos. Entre as propostas estão o programa Eco Invest Brasil, a criação de um mercado regulado de carbono e o projeto Tropical Forest Forever Facility (TFFF), focado na preservação de florestas tropicais.