Economia

Governo de Donald Trump classifica PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

29 de Maio de 2026 às 15:13

O governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida inclui os grupos em listas de terrorismo global e estrangeiro, ampliando sanções financeiras e o monitoramento de recursos. O Ibovespa recuou quase 1% e o dólar subiu 0,54% nesta sexta-feira

Governo de Donald Trump classifica PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O governo de Donald Trump classificou as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Anunciada na quinta-feira (28), a medida já incluiu os grupos na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, eles integrarão a lista de “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTO).

O impacto imediato reflete-se nos indicadores financeiros. Nesta sexta-feira (29), o Ibovespa registrou queda de quase 1%, situando-se em 173.333 pontos, enquanto o dólar subiu 0,54%, atingindo R$ 5,0708. O índice da bolsa brasileira já acumula recuo de 0,64% na semana e de 6,53% no mês, caminhando para a sétima semana consecutiva de baixa, cenário influenciado também por tensões no Oriente Médio. A aversão ao risco tem levado investidores a reduzirem posições em setores sensíveis, como varejo e bancos.

Embora a medida não deva criar barreiras diretas ao comércio entre Brasil e Estados Unidos, ela altera significativamente o custo e a complexidade operacional para quem atua sob a lei americana. A classificação como FTO amplia os instrumentos de combate financeiro dos EUA, permitindo o bloqueio de recursos, sanções mais severas e monitoramento rigoroso. Instituições financeiras que operem em dólar ou mantenham vínculos com o mercado americano — incluindo bancos, fintechs, cooperativas de crédito e instituições de pagamento — precisarão endurecer as regras de identificação de clientes para evitar sanções, já que qualquer apoio, mesmo indireto, aos grupos pode ser tipificado como crime.

Essa rigidez regulatória coloca o sistema PIX sob maior vigilância. O volume bilionário de transferências instantâneas atrai a atenção de autoridades americanas, que já abriram uma investigação comercial em julho de 2025 a pedido de Donald Trump. O rastreamento de fluxos financeiros é prioridade, especialmente após o Tesouro dos EUA bloquear, no ano passado, transações de instituições mexicanas suspeitas de lavagem de dinheiro para cartéis de narcotráfico e fentanil.

No Brasil, a Polícia Federal já monitora o uso de contas digitais e empresas de fachada para ocultar capitais. Exemplo disso foi a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, que identificou a “máfia da nafta” utilizando “contas-bolsão” para misturar recursos de diversos clientes e dificultar a fiscalização.

A divergência jurídica entre os dois países — onde o Brasil ainda enquadra o PCC e o CV como facções criminosas, e não como terroristas — gera insegurança jurídica e risco reputacional. Isso eleva a percepção de risco-país, o que pode pressionar a alta do dólar frente ao real, pois investidores estrangeiros passam a exigir retornos maiores para manter capital no mercado local.

Setores com alta circulação de dinheiro, como logística, mercado imobiliário e combustíveis, devem enfrentar auditorias mais rigorosas. A medida também amplia a relevância do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e a integração com o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI/FATF), organismo do G7 que define padrões globais contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. A tendência é que a pressão internacional resulte em maior cooperação em inteligência financeira e rastreamento de recursos ilícitos.

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