Economia

Inadimplência no Brasil atinge 81,7 milhões de pessoas, com predominância de população de baixa renda

13 de Maio de 2026 às 09:19

Cerca de 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes, sendo que 78% ganham até dois salários mínimos. Dívidas com bancos e financeiras somam 47,1% do total, enquanto o montante de débitos das famílias no Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 238,5 bilhões em março

Inadimplência no Brasil atinge 81,7 milhões de pessoas, com predominância de população de baixa renda
© JOÉDSON ALVES/AGÊNCIA BRASIL

O cenário de inadimplência no Brasil atinge 81,7 milhões de pessoas, segundo dados da Serasa Experian. Desse total, 78% dos devedores possuem renda mensal de até dois salários mínimos, evidenciando a vulnerabilidade da população de baixa renda ao acesso a linhas de crédito com custos mais elevados. O endividamento com bancos e financeiras concentra a maior fatia das dívidas em atraso, representando 47,1% do volume total.

Dados do Banco Central indicam que, em março, a inadimplência das famílias no Sistema Financeiro Nacional somava R$ 238,5 bilhões, o que corresponde a 5,3% do crédito total de R$ 4,5 trilhões concedido a esse grupo. Esse montante não inclui débitos com prestadores de serviço e o comércio.

A facilidade de acesso ao crédito tem impulsionado o uso de crediários para a quitação de despesas básicas do orçamento mensal, como compras em farmácias, postos de gasolina e supermercados. Embora o crédito seja fundamental para a aquisição de bens duráveis e de maior valor, a oferta imediata de parcelamentos, muitas vezes sem juros em curto prazo, estimula a antecipação do consumo. Esse comportamento é influenciado por estímulos publicitários e recomendações de influenciadores digitais, independentemente da faixa de renda do consumidor.

A ausência de planejamento financeiro leva muitos brasileiros a comprometerem a renda além da capacidade de pagamento, resultando no uso de modalidades de financiamento com as taxas mais altas do mercado, como o rotativo do cartão de crédito, o cheque especial e o parcelamento direto com operadoras. Existe a tendência de o consumidor comparar preços de produtos, mas negligenciar o custo efetivo dos juros ao optar pelo financiamento, focando apenas na viabilidade da parcela mensal.

Outro fator crítico é a confusão entre limite de crédito e renda disponível. A percepção de que o limite do cartão ou do cheque especial soma-se ao salário mensal distorce a realidade financeira, ignorando que tais valores devem ser quitados com a renda recebida.

Para quem não possui emprego formal, a impossibilidade de acessar o crédito consignado, que possui juros menores, empurra o consumidor para empréstimos não consignados e outras linhas onerosas. Esse ciclo acaba drenando a renda do trabalhador em favor do sistema financeiro, proporcionalmente ao aumento das taxas de juros.

Diante desse quadro, a educação financeira é apontada como a solução estrutural para evitar a reincidência no endividamento. Iniciativas como a criação de cartilhas e calculadoras para orientar a adesão ao programa Desenrola 2 e o uso do FGTS para refinanciamento buscam mitigar os danos imediatos, embora tais medidas sejam consideradas de curto prazo.

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