Economia

Índia aumenta tarifa de importação de ouro para conter a saída de divisas estrangeiras

16 de Maio de 2026 às 18:02

A Índia aumentou a tarifa de importação de ouro de 6% para 15% em 13 de maio para conter a saída de divisas. A medida ocorre após a alta nos preços do petróleo e a desvalorização de 5% da rúpia frente ao dólar

Índia aumenta tarifa de importação de ouro para conter a saída de divisas estrangeiras
Getty Images via BBC

A Índia elevou as tarifas de importação de ouro de 6% para 15% em 13 de maio, medida que sucede o pedido do primeiro-ministro Narendra Modi, em 10 de maio, para que a população interrompa a compra de joias do metal por um ano. A iniciativa visa conter a saída de divisas em um cenário de alta nos preços do petróleo, commodity que representa mais de 85% do consumo nacional indiano.

O custo da energia disparou em até 70% em seus picos após o início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e o fechamento do estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do suprimento global de gás natural liquefeito e petróleo. Como as importações de petróleo e ouro são liquidadas em dólares americanos, a pressão cambial resultou em uma desvalorização de aproximadamente 5% da rúpia frente à moeda norte-americana este ano, elevando o risco de inflação.

No último ano fiscal, encerrado em 31 de março, a Índia importou US$ 72 bilhões em ouro, volume que corresponde a 9% do total de importações do país. Mais de 90% do metal comercializado internamente é importado. Diferente do petróleo, o ouro não é essencial para a produção industrial, sendo utilizado majoritariamente como investimento ou em joalheria, o que justifica a tentativa do governo de desestimular o consumo para preservar reservas financeiras.

Para mitigar os impactos energéticos, Modi também convocou a população a adotar o trabalho remoto, utilizar transporte público, compartilhar veículos, restringir viagens internacionais não essenciais, reduzir o uso de óleo de cozinha e a aplicação de fertilizantes na agricultura. Globalmente, governos adotaram medidas similares: o Sri Lanka implementou cotas de combustível e cortes de energia em órgãos públicos; a Tailândia solicitou a redução do uso de ar-condicionado; o Egito antecipou o fechamento de comércios e restaurantes; e Moçambique incentivou o trabalho remoto.

Apesar do apelo governamental, o ouro possui forte arraigo cultural na Índia, sendo comum como herança e presente de casamento. O metal atingiu em janeiro a marca de US$ 5 mil por onça. O setor de joalheria, representado por empresários como Abhishek Agarwal, manifestou receio quanto à sobrevivência das empresas e solicitou reuniões com o governo. Historicamente, em 2013, o aumento de tarifas de importação do metal no país foi associado ao crescimento do contrabando.

Há divergências sobre o impacto dessa redução de demanda no mercado global. Hamad Hussain, da Capital Economics, projeta que a queda no consumo da nação mais populosa do mundo poderia pressionar os preços internacionais do ouro devido ao excesso de oferta. Já Sebastien Tillett, da Oxford Economics, considera que o efeito seria marginal, dado que as incertezas geopolíticas e a demanda de investidores prevalecem sobre o consumo doméstico indiano.

Politicamente, a estratégia foi criticada por Rahul Gandhi, líder da oposição, que argumentou que o governo está transferindo a responsabilidade econômica para os cidadãos.

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