Índia eleva impostos sobre ouro e combustíveis para conter a saída de dólares do país
O governo da Índia elevou a taxa de importação de ouro para 15% e reajustou os preços de gasolina e diesel nesta sexta-feira (15). O primeiro-ministro Narendra Modi recomendou austeridade à população e iniciou agenda diplomática nos Emirados Árabes Unidos e Europa para tratar de segurança energética
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O governo da Índia elevou a taxa de importação de ouro de 6% para 15% e promoveu, nesta sexta-feira (15), o primeiro reajuste nos preços da gasolina e do diesel desde o início da crise energética, impactando cidades como Nova Déli. A medida ocorre após aumentos prévios no custo do gás de cozinha e reflete a pressão sobre as contas externas do país, que importou mais de US$ 72 bilhões em ouro em 2025, gerando uma saída significativa de dólares enquanto a rúpia perde valor.
A instabilidade econômica é impulsionada pelo conflito no Oriente Médio e pelo bloqueio do estreito de Ormuz, rota por onde transitam historicamente cerca de metade das importações de petróleo da Índia. Como o país depende de importações para suprir 90% do seu consumo de energia, a paralisia parcial do estreito elevou os custos energéticos e ameaça as reservas em moeda estrangeira.
Para mitigar esses impactos, o primeiro-ministro Narendra Modi convocou a população a adotar medidas de austeridade, que incluem a redução do consumo de combustíveis, a limitação da compra de ouro, a diminuição de viagens internacionais e a priorização do trabalho remoto. A orientação representa uma ruptura com a habitual política de estímulo ao crescimento indiana.
No plano diplomático, Modi iniciou nesta sexta-feira (15) uma agenda nos Emirados Árabes Unidos e em nações europeias para tratar de segurança energética. Em Abu Dhabi, o primeiro-ministro defendeu a abertura do estreito de Ormuz sob as normas do direito internacional e buscou acordos de investimento e fornecimento de petróleo e gás para diversificar rotas e reduzir a vulnerabilidade do país.
Internamente, a recepção aos apelos do governo é mista. Em Calcutá, parte da população, especialmente jovens e trabalhadores, afirma já possuir um consumo restrito e questiona a falta de detalhamento nas estratégias governamentais. Há também críticas ao momento do anúncio, realizado após as eleições gerais, com questionamentos sobre a ausência de ações práticas para conter a pressão cambial e a inflação. Por outro lado, alguns profissionais consideram a austeridade preventiva e necessária para evitar danos maiores diante da incerteza global.