Economia

Inflação de maio supera projeções do Banco Central e atinge 0,58%

12 de Junho de 2026 às 12:06

O IPCA subiu 0,58% em maio, elevando o acumulado de 12 meses para 4,72%. A alta foi impulsionada pelos grupos de alimentação e bebidas, com 1,33%, e habitação, com 1,22%. O setor de transportes registrou deflação de 0,46%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,58% em maio, resultado que superou a projeção de 0,48% indicada pelo Boletim Focus do Banco Central. Embora o índice mensal tenha apresentado desaceleração em comparação a março (0,88%), fevereiro (0,70%) e abril (0,67%), o acumulado de 12 meses subiu para 4,72%. Este valor ultrapassa o teto de 4,5% do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional, cuja meta central é de 3%. O limite superior é considerado descumprido caso a inflação permaneça fora da margem por seis meses consecutivos. O último registro acima do limite ocorreu em outubro de 2025, com 4,68%.

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal motor da alta, com variação de 1,33%, respondendo por 0,29 ponto percentual do índice geral — metade da inflação de maio. Sem a influência desse grupo, o IPCA teria sido de 0,37%. A alta nos alimentos, que já soma 4,81% nos cinco primeiros meses de 2026, foi impulsionada pela batata-inglesa (+44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%). O aumento reflete a menor oferta de produtos, o custo do frete rodoviário e a valorização dos fertilizantes devido ao conflito no Oriente Médio. A variação de maio é a maior para este grupo desde 2015, quando registrou 1,37%.

O setor de habitação teve a segunda maior pressão, subindo 1,22% (impacto de 0,18 p.p.), puxado pela energia elétrica residencial. A conta de luz subiu 3,67%, sendo o item individual com maior peso no mês (0,15 p.p.), reflexo da bandeira tarifária amarela — que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh — e de reajustes contratuais em cidades como Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Aracaju e Campo Grande.

Em contrapartida, o grupo de transportes apresentou deflação de 0,46%, influenciado pela queda nos combustíveis (-1,95%). A gasolina, com recuo de 1,46%, foi o item que mais reduziu a inflação geral (-0,08 p.p.), seguida pelo etanol (-6,20%) e óleo diesel (-2,34%). O gás veicular, porém, subiu 5,81%.

No detalhamento do índice, 65% dos 377 produtos e serviços monitorados tiveram alta. O grupo de serviços registrou 0,40% em maio (5,97% em 12 meses), enquanto os preços monitorados subiram 0,43% (5,85% em 12 meses). Para o fechamento de 2026, a expectativa do mercado financeiro é de uma inflação de 5,11%.

O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, com coleta de dados em Brasília, dez regiões metropolitanas e cinco capitais.

Notícias Relacionadas