Economia

Inflação registra a menor alta mensal desde outubro de 2025 em junho, segundo o IBGE

10 de Julho de 2026 às 12:30

O IPCA subiu 0,16% em junho, menor variação mensal desde outubro de 2025, com acumulado de 12 meses em 4,64%. A queda em alimentação e bebidas contrastou com a alta em habitação, impulsionada pela energia elétrica. No primeiro semestre, a inflação somou 3,36%

Inflação registra a menor alta mensal desde outubro de 2025 em junho, segundo o IBGE
© VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, o menor resultado mensal desde outubro de 2025. O dado, divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), marca a quarta queda consecutiva no ritmo de crescimento da inflação, que em maio havia sido de 0,58%. O índice acumulado nos últimos 12 meses recuou para 4,64%, contra 4,72% no mês anterior, permanecendo ligeiramente acima do teto da meta governamental de 4,5%. No primeiro semestre do ano, a inflação somou 3,36%.

O resultado de junho superou as expectativas do mercado financeiro. O relatório Focus do Banco Central, publicado na última segunda-feira (6), projetava uma variação de 0,32% para o período. Para o fechamento de 2026, a projeção dos agentes é de 5,3%.

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal fator de alívio no índice, com recuo de 0,24% (-0,05 p.p.). Trata-se da primeira deflação do setor desde novembro de 2025 e o menor índice desde agosto de 2025 (-0,83%). A queda foi impulsionada principalmente pela alimentação no domicílio, que ficou 0,39% mais barata, refletindo maior oferta de produtos e a reversão de altas anteriores. Entre os itens com maior queda, destacam-se o açaí em emulsão (-14,41%), o café moído (-3,72%), o óleo de soja (-2,78%), o tomate (-2,02%), as frutas (-1,58%) e as carnes (-0,64%). Já a alimentação fora do domicílio apresentou alta de 0,15%.

No sentido oposto, o grupo habitação exerceu a maior pressão positiva, subindo 0,63% (0,10 p.p.). O movimento foi puxado pela energia elétrica, que avançou 1,53%, influenciada pela manutenção da bandeira tarifária amarela — que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos — e por reajustes tarifários em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

No setor de transportes, a alta de 7,12% nas passagens aéreas elevou o índice, enquanto os combustíveis registraram queda de 0,48%. O recuo foi observado no etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).

Outros grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram as seguintes variações: despesas pessoais (0,25%), saúde e cuidados pessoais (0,23%), artigos de residência (0,23%), comunicação (0,19%), vestuário (0,17%) e educação (-0,02%).

O índice de difusão, que mede a amplitude da inflação entre os 377 produtos e serviços monitorados em dez regiões metropolitanas, Brasília e cinco capitais, foi de 54%. Isso significa que mais da metade dos itens pesquisados subiu de preço, o menor nível de espalhamento desde outubro de 2025 (52%).

Quanto à composição do índice, o grupo de serviços subiu 0,34%, recuando frente aos 0,40% de maio. Os preços monitorados, que incluem combustíveis e itens com contratos, variaram 0,29%, também abaixo dos 0,43% registrados no mês anterior.

O IPCA é a ferramenta de monitoramento do Banco Central para a política de metas do Conselho Monetário Nacional. A meta atual é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Desde o início de 2025, a avaliação considera os 12 meses imediatamente anteriores, e o descumprimento da meta ocorre caso a inflação exceda o limite superior por seis meses consecutivos. O índice reflete o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

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