Economia

Instituições financeiras brasileiras atingem lucro recorde de R$ 255 bilhões em 2025

22 de Junho de 2026 às 06:05

Instituições financeiras brasileiras lucraram R$ 255 bilhões em 2025, com o retorno sobre o patrimônio líquido atingindo 16,76%. O resultado ocorreu sob taxa Selic de 15% ao ano e foi impulsionado por spreads elevados, diversificação de receitas e redução de custos

As instituições financeiras brasileiras atingiram um lucro recorde de R$ 255 bilhões em 2025, conforme dados do Banco Central. O resultado ocorreu em um cenário de taxa básica de juros (Selic) fixada em 15% ao ano, o patamar mais elevado em quase duas décadas e um dos maiores índices reais do mundo, com recuo iniciado apenas em 2026.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que relaciona o lucro ao valor investido pelos acionistas, subiu para 16,76% em 2025, o nível mais alto desde os 17,55% registrados em 2021. O Escritório do Superintendente de Instituições Financeiras (OSFI) do Canadá aponta que a rentabilidade dos bancos no Brasil supera a de instituições em países desenvolvidos, embora a agência ressalte que tais comparações devem considerar as diferenças de regulação, modelos de negócio e alavancagem de cada nação.

A lucratividade do setor em 2025 foi impulsionada por spreads elevados, maior rigor na concessão de crédito e a queda gradual da inadimplência. A diversificação de receitas — integrando seguros, gestão de recursos, mercado de capitais e serviços financeiros — reduziu a dependência do ciclo tradicional de crédito. Além disso, investimentos em automação, digitalização e gestão de risco elevaram a produtividade e reduziram custos estruturais.

O mercado de crédito brasileiro mantém alta concentração, com as quatro maiores instituições detendo quase 60% do setor em 2024. A Selic serve como referência para os empréstimos, mas as taxas finais são significativamente superiores à básica, especialmente em modalidades como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, cujos juros superam 100% e 400% ao ano, respectivamente.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) argumenta que a rentabilidade brasileira está alinhada a outros mercados emergentes. Com base em dados da publicação The Banker, a média do ROE dos bancos brasileiros entre 2020 e 2024 foi de 16,5%, valor inferior ao de países como Peru, México e África do Sul. A entidade defende que juros básicos elevados encarecem a captação de recursos e limitam a expansão das carteiras de crédito e de serviços.

Sobre a composição do spread bancário, dados do Banco Central indicam que 80% desse valor é absorvido por inadimplência (35,4%), despesas administrativas (23,3%) e tributos (21%), enquanto a margem financeira representa 20,3% do total.

Quanto ao impacto do Pix, a Febraban observa que a ferramenta amplia a bancarização e fortalece o mercado financeiro, embora resulte em redução de custos para os clientes e potencial queda de receitas bancárias com esse serviço. O Banco Central, por sua vez, classificou o crescimento do lucro líquido em 2025 como moderado e a rentabilidade como relativamente estável.

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