Economia

Intel atinge capitalização de mercado de 670 bilhões de dólares após recuperação financeira e operacional

19 de Junho de 2026 às 06:37

A Intel atingiu capitalização de mercado de US$ 670 bilhões após aportes do governo dos EUA e da Nvidia, além de parcerias com Apple e Google. A empresa investirá US$ 55 bilhões em uma fábrica no Texas com Tesla, SpaceX e xAI para produzir chips de IA e memórias. A estratégia foca no modelo de fundição para terceiros através da tecnologia de fabricação 18A-P

Intel atinge capitalização de mercado de 670 bilhões de dólares após recuperação financeira e operacional
Reuters

A Intel apresenta uma recuperação financeira e operacional expressiva, com sua capitalização de mercado atingindo cerca de US$ 670 bilhões. Esse valor representa o dobro do patamar alcançado durante a bolha da internet, quando a companhia valia US$ 60 bilhões. O crescimento recente das ações, que se valorizaram quase 500% no último ano, reflete a mudança de rumo da fabricante de semicondutores após uma década de declínio.

O processo de retomada é impulsionado por acordos industriais e aportes estratégicos, incluindo a compra de 9,9% da empresa pelo governo dos Estados Unidos, em uma transação de US$ 8,9 bilhões. Outro movimento relevante ocorreu no mês passado, quando a Nvidia adquiriu 4% das ações da Intel por US$ 5 bilhões, estabelecendo uma parceria para que a Intel produza chips voltados para servidores e inteligência artificial, setor onde a Nvidia detém a liderança em GPUs.

Um marco simbólico e técnico dessa nova fase é a reaproximação com a Apple. Após ter abandonado a arquitetura x86 da Intel em 2020 para adotar a tecnologia ARM — o que resultou em uma perda anual de US$ 6 bilhões em receita para a Intel —, a Apple agora testa as fábricas da Intel para a produção de seus processadores da família M7. A parceria foi confirmada por Donald Trump, que destacou a importância de a tecnologia consumida nos EUA ser produzida em solo americano.

A viabilidade dessa retomada depende da tecnologia de fabricação 18A-P. Após enfrentar dificuldades técnicas e dúvidas sobre custos sob a gestão de Pat Gelsinger — que deixou o cargo no final de 2024 —, a Intel anunciou, em conferência no Japão, avanços significativos nesta tecnologia, que já está em fase de testes. O atual CEO, Li Bu-Tan, assumiu a missão de consolidar o modelo de fundição, fabricando chips para terceiros, estratégia anteriormente utilizada pela TSMC.

No campo da infraestrutura, a Intel planeja a construção de uma megafábrica no condado de Grimes, Texas, em parceria com a Tesla, SpaceX e xAI. O investimento de US$ 55 bilhões visa criar um ciclo de produção verticalizado, integrando design, litografia, empacotamento e testes em um único local. A unidade deverá entregar entre 100 bilhões e 200 bilhões de componentes anuais, incluindo memórias e chips de IA, com capacidade de computação superior a 1 terawatt por ano. O Google já utiliza essa tecnologia para o desenvolvimento de chips, fortalecendo a Intel no segmento de data centers.

Essa reestruturação ocorre após um período crítico iniciado em 2017, quando a Samsung superou a Intel em vendas, seguido pela TSMC, que assumiu a liderança na produção de semicondutores. A empresa também enfrentou a perda de espaço para a AMD no mercado de computadores pessoais e sucessivos trimestres de prejuízo, que levaram a demissões globais e à suspensão de obras.

Apesar da valorização, a Intel enfrenta um cenário competitivo mais complexo do que há dez anos. A AMD consolidou sua presença em servidores, a ARM expandiu-se para processadores de IA e a Nvidia diversificou a projeção de seus próprios chips, limitando as possibilidades de a Intel retomar a hegemonia absoluta do mercado.

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