Internet via satélite pode injetar até R$ 89 bilhões no PIB brasileiro até 2035
Relatório da Oxford Economics projeta que a internet via satélites de órbita terrestre baixa pode injetar até R$ 89 bilhões no PIB brasileiro até 2035. A estimativa considera três cenários de adoção, variando entre 5,9 milhões e 14 milhões de usuários. A tecnologia visa ampliar a conectividade em áreas rurais e remotas

A implementação de internet via satélites de órbita terrestre baixa (LEO) pode injetar até R$ 89 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2035. O dado integra um relatório da Oxford Economics, encomendado pela Amazon, que projeta o impacto da tecnologia na produtividade, na infraestrutura e na geração de empregos no país.
A viabilidade econômica da tecnologia LEO reside na sua arquitetura: os satélites orbitam a Terra entre 20 e 60 vezes mais próximos do que os sistemas geoestacionários. Essa configuração reduz a latência, acelera a navegação e oferece uma experiência similar à internet fixa urbana, com a vantagem de ser menos suscetível a falhas físicas que afetam as redes terrestres. O modelo torna-se a alternativa principal para regiões onde a instalação de infraestrutura convencional é financeiramente complexa.
O estudo detalha três trajetórias de crescimento para a adoção do sistema. No cenário transformador, a estimativa é de 14 milhões de usuários em 5,1 milhões de residências, o que impulsionaria a atividade econômica nos R$ 89 bilhões mencionados. No cenário intermediário, a projeção é de 8,9 milhões de usuários em 3,3 milhões de domicílios, com impacto de R$ 51 bilhões no PIB e a manutenção de quase 370 mil postos de trabalho. Já o cenário incremental prevê 5,9 milhões de usuários em 2,2 milhões de residências, gerando R$ 12 bilhões em ganhos econômicos e 87 mil empregos.
Essa expansão visa sanar lacunas críticas de conectividade. Dados de maio de 2026 indicam que, em 2024, apenas 76% da população rural tinha acesso à rede, com limitações severas em localidades situadas a mais de 25 quilômetros de redes fixas.
O impacto setorial deve ser expressivo, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs), que possuem alto potencial de crescimento ao eliminarem barreiras geográficas. Em áreas produtivas, a eficiência operacional será ampliada por meio de automação, análise de dados e monitoramento remoto.
Além do viés comercial, a infraestrutura espacial viabiliza a inclusão digital em serviços essenciais. A telemedicina poderá conectar especialistas a comunidades isoladas, enquanto instituições de ensino terão acesso a plataformas de aprendizado remoto e conteúdos digitais. O avanço também deve facilitar a qualificação profissional e o acesso a serviços públicos em regiões distantes dos centros urbanos.