Lula antecipa viagem à França para negociar tarifas de importação dos Estados Unidos com Donald Trump
O presidente Lula viaja à França neste domingo para a cúpula do G7 e para reunir-se com Donald Trump. A pauta central é a negociação de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, especialmente a taxa de 25%. O Brasil propôs a redução de impostos de importação para bens industriais, como equipamentos hospitalares
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou sua ida à França para a cúpula do G7, em Évian-les-Bains, com o objetivo de viabilizar uma reunião bilateral com Donald Trump. O embarque ocorre neste domingo (14), após sinalizações positivas da Casa Branca para o encontro. A prioridade da agenda é a discussão sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, especificamente a proposta de uma taxa adicional de 25%, baseada em alegações de práticas comerciais desleais. O governo brasileiro considera que esse percentual ainda é passível de reversão via negociação.
Em contrapartida, a equipe brasileira vê como consolidada a sobretaxa de 12,5%, motivada por supostas insuficiências no combate ao trabalho forçado. A avaliação é que esse valor visa recompor parte da tarifa global de 10% anteriormente aplicada por Trump sobre a maioria dos importados, medida que havia sido derrubada pela Justiça norte-americana. Lula pretende questionar Trump sobre a concordância com as recomendações de novo tarifaço feitas por Jamieson Greer, chefe do escritório comercial dos EUA.
Para tentar destravar as negociações, o Brasil apresentou uma lista de bens industriais com sugestões de redução ou isenção de tarifas de importação, com foco em equipamentos hospitalares. Embora o governo aceite discutir outras taxas, como a do etanol, as propostas atuais restringem-se a itens industriais. Paralelamente, o Brasil não descarta reavaliar sua posição sobre a moratória do comércio eletrônico na Organização Mundial do Comércio (OMC) caso o tema seja integrado a uma discussão bilateral mais ampla. A manutenção dessa moratória, que veda a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas internacionais, é prioridade estratégica para Washington e suas empresas de tecnologia, embora não haja, no momento, negociação que vincule esse ponto à suspensão de medidas comerciais contra o Brasil.
No âmbito diplomático, o Brasil participa do G7 como convidado. Lula pretende conversar com os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, visando reforçar sua imagem internacional. A programação prevê a chegada das delegações e recepções oficiais no dia 15, sessões de debate sobre desequilíbrios econômicos globais e outras pautas no dia 16, e o encerramento com a aprovação de documentos e coletivas de imprensa no dia 17.
Recentemente, a reunião por videoconferência entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e Jamieson Greer, prevista para quinta-feira (11), foi adiada para sexta-feira por questões de agenda.