Mais de 66% das notas fiscais eletrônicas apresentam falhas que podem comprometer créditos tributários
Levantamento da V360 indica que 66,2% das notas fiscais eletrônicas analisadas possuem falhas, sendo que 64,4% não preenchem os campos de IBS e CBS. Apenas 35,8% dos 139 mil fornecedores avaliados adequaram-se ao novo sistema tributário

Cerca de 66,2% das notas fiscais eletrônicas (NF-e) processadas pela plataforma da V360 apresentam falhas que podem comprometer a recuperação de créditos tributários sob as regras da nova reforma. O levantamento "Termômetro do Crédito IBS/CBS" analisou mais de 6,4 milhões de documentos e constatou que 64,4% deles não possuem preenchimento nos campos destinados à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Outros 1,8% dos registros exibem divergências entre os cálculos dos fornecedores e os valores de referência para validação.
A adequação dos fornecedores ao novo sistema ainda é baixa: apenas 35,8% dos 139 mil parceiros analisados preencheram corretamente os campos de IBS e CBS, enquanto 64,2% permanecem desatualizados. Esse cenário indica que a obtenção de créditos dependerá da qualidade das informações prestadas por terceiros, elevando a importância da gestão da cadeia de suprimentos para evitar prejuízos financeiros. A baixa adesão também é refletida nos registros das Secretarias Estaduais da Fazenda (Sefaz), onde apenas 0,04% de mais de 10,8 milhões de eventos fiscais referem-se às novas funcionalidades da reforma.
O modelo, que entra em fase de testes em 2026 e terá início efetivo em 2027, prevê a substituição gradual de tributos sobre o consumo. Nele, as empresas poderão abater dos impostos a pagar os valores recolhidos na aquisição de serviços e mercadorias. Para garantir esse direito perante o Fisco, a precisão das notas fiscais e a validação de eventos — como recusas e confirmações de operação — tornam-se indispensáveis.
De acordo com Izaias Miguel, co-CEO da V360, o gargalo operacional não estará na emissão dos documentos, mas na capacidade de receber, validar e conferir as notas. A falha na organização do ingresso fiscal pode resultar em perda de créditos, mesmo que o fornecedor tenha emitido a nota corretamente. O executivo ressalta que o erro operacional terá um custo maior, impactando diretamente o caixa e a conformidade fiscal, o que exige que o destinatário assuma um papel mais ativo na cadeia.
A transição demandará a integração entre os setores jurídico, tecnológico, financeiro, de compras e fiscal, com ênfase em ferramentas de automação para validação de documentos em larga escala. Para Miguel, a preparação requer a substituição de uma postura reativa por uma preventiva, validando riscos em tempo real antes do registro do documento.
O impacto da reforma varia conforme o porte da empresa. Grandes corporações enfrentam complexidade operacional devido ao volume de notas, multiplicidade de unidades e a dependência de sistemas de gestão (ERPs) antigos ou customizados. Já as micro e pequenas empresas, apesar de possuírem operações simplificadas, lidam com a escassez de profissionais especializados e menor capacidade de investimento em tecnologia, o que pode levar a adequação tardia, próxima ao prazo de vigência das regras.