MBaer Merchant Bank é forçado a fechar após acusações de lavagem de dinheiro por autoridades dos EUA
O MBaer Merchant Bank foi forçado a fechar as portas após ser acusado de lavagem de dinheiro por autoridades dos EUA. O banco teria canalizado mais de cem milhões de dólares para agentes ligados ao Irã e à Rússia em nome da Força Quds, considerada uma organização terrorista estrangeira. A Finma iniciou procedimentos contra o MBaer e anunciou a demissão de até 25 pessoas associadas ao banco
O MBaer Merchant Bank, fundado em 2018 pelo suisse Paul-Michel von Merey e Mike Baer, foi forçado a fechar as portas após ser acusado de lavagem de dinheiro por autoridades dos EUA. O banco teria canalizado mais de cem milhões de dólares para agentes ligados ao Irã e à Rússia em nome da Força Quds, considerada uma organização terrorista estrangeira.
O MBaer foi fundado como um banco de investimentos concebido para atender aos interesses empresariais dos clientes. Contudo, sua cultura operacional se assemelhava a tempos mais liberais das finanças suíças, antes do confronto com os EUA sobre evasão fiscal nos anos 2000.
O banco foi acusado de facilitar pagamentos em conexão com um esquema internacional de contrabando de petróleo e lavagem de dinheiro conduzido pela Força Quds. Os clientes do MBaer transferiram cerca de US$37 milhões para uma empresa sancionada, chamada Turkoca Import Export Transit Co. Ltd., que era usada por afiliados da Força Quds para lavar fundos.
A Finma iniciou formalmente procedimentos de execução contra o MBaer em 2024 e informou que 98% dos ativos recentes de clientes do banco vinham de fontes de “alto risco”. No entanto, um processo sancionador pode se arrastar por anos no sistema regulatório suíço.
O fim do MBaer demorou a chegar, apesar das preocupações com lavagem de dinheiro. A Finma abriu processos contra quatro indivíduos não identificados associados ao banco e anunciou que até 25 pessoas seriam demitidas em março e abril.
A crise do MBaer destaca a fragilidade da Suíça no combate eficaz aos crimes financeiros, segundo Mark Pieth. A aparente incapacidade da Finma de fazer cumprir sua decisão inicial é um sinal de que o país ainda é um centro offshore onde os casos se arrastam por anos sob o pretexto do devido processo legal.
O caso também destaca a importância das medidas regulatórias para evitar lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. A Suíça está em processo de reformulação da regulamentação financeira, incluindo medidas para ampliar os poderes da agência reguladora Finma.