Mina de ouro na África do Sul é avaliada em valor equivalente ao PIB do Uruguai
A Harmony Gold investe US$ 410 milhões para aprofundar a mina Mponeng, na África do Sul, visando dobrar a produção de ouro até 2030. O ativo, avaliado em US$ 149,5 bilhões, é a operação mais profunda do mundo e possui reservas de 1.300 toneladas do metal

A Harmony Gold detém a operação da mina Mponeng, na bacia de Witwatersrand, em Gauteng, África do Sul, que possui reservas confirmadas de 46 milhões de onças, totalizando 1.300 toneladas de ouro. Com a cotação do metal em US$ 3.250 por onça em maio de 2026 — recorde histórico —, o ativo é avaliado em US$ 149,5 bilhões, montante equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) anual do Uruguai. O valor contrasta com o investimento de US$ 200 milhões realizado pela empresa em 2020 para adquirir a unidade da AngloGold Ashanti.
A operação é a mais profunda do mundo, com a frente de extração situada entre 3.160 e 3.840 metros. Para viabilizar a atividade, elevadores especializados percorrem 7,5 quilômetros entre a superfície e as áreas de trabalho. A Harmony Gold investe agora US$ 410 milhões para aprofundar a mina em mais 380 metros, visando atingir a marca de 4.220 metros com a entrega da nova frente prevista entre 2028 e 2030. O objetivo é dobrar a produção de ouro até 2030, impulsionado pela projeção do Goldman Sachs de que o metal chegue a US$ 3.500 até o fim de 2026 e pelo crescimento de 28% na demanda de bancos centrais entre 2023 e 2025, conforme o World Gold Council.
A profundidade extrema impõe desafios técnicos e ambientais. A temperatura da rocha atinge 66°C, o que exige o bombeamento diário de mais de 6 mil toneladas de gelo em pasta para absorver o calor e manter o ambiente próximo aos 30°C. A umidade relativa superior a 90% demanda o uso de equipamentos com proteção IP67. Para mitigar a pegada de carbono decorrente do alto consumo elétrico, a operadora testa veículos autônomos elétricos para reduzir a necessidade de oxigênio nos túneis.
No aspecto de segurança, a pressão litostática de 100 megapascais a 3,8 quilômetros de profundidade provoca explosões espontâneas de rocha, conhecidas como "rockburst". Esse fenômeno causou 17 mortes na Mponeng entre 2020 e 2024, estatística considerada aceitável pelo Conselho Sul-Africano de Engenheiros de Mina dentro dos padrões industriais, especialmente considerando que as minas de Witwatersrand somam 35 mil óbitos desde o início do século 20. Para monitorar os riscos, a Harmony aplicou US$ 80 milhões em sistemas de monitoramento sísmico em tempo real.
A escala da Mponeng supera significativamente outras operações globais. A segunda mina mais profunda do mundo, Driefontein, possui reservas oito vezes menores. No Brasil, a mina mais profunda, localizada em Vale-Ribeira (SP), chega a 1.200 metros, sendo três vezes mais rasa que a sul-africana. Enquanto a África do Sul produz 130 toneladas de ouro anualmente com menos minas em operação, o Brasil produz 60 toneladas por ano, apesar de possuir reservas estimadas em 2.400 toneladas ainda subexploradas.