Moléculas verdes podem representar um terço do consumo energético da União Europeia até 2050
Moléculas verdes podem suprir um terço do consumo energético da União Europeia em 2050, reduzindo emissões em 22%. A transição prevê a criação de 1,7 milhão de empregos e exige investimentos superiores a 29 trilhões de euros para a neutralidade climática. Espanha e Portugal devem produzir hidrogênio verde com custos 50% menores que a Europa Central até 2030
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As moléculas verdes podem representar até um terço do consumo energético da União Europeia em 2050, com potencial para reduzir as emissões do continente em 22% até aquele ano. A tecnologia, que engloba compostos baseados em biomassa (como biometano e diesel renovável) e combustíveis sintéticos derivados de hidrogênio verde, surge como a principal alternativa de descarbonização para setores de difícil eletrificação, a exemplo da aviação, mineração, transporte pesado e indústria química.
A transição para essa matriz energética deve impulsionar a economia regional, com a estimativa de criação de 1,7 milhão de empregos na União Europeia e no Reino Unido. A Espanha se destaca nesse cenário, com a previsão de 181 mil postos de trabalho diretos e indiretos até 2040 e um incremento de 15,6 bilhões de euros em seu Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período.
Para atingir a neutralidade climática até 2050, a Europa precisará de investimentos acumulados superiores a 29 trilhões de euros. O custo de não realizar esse investimento seria ainda maior, exigindo cinco trilhões de euros adicionais para a recuperação climática.
No setor aéreo, a União Europeia planeja a operação de 53 plantas de combustível sustentável de aviação (SAF) até o final desta década. O uso dessas moléculas já apresenta resultados concretos, como a redução de 3.400 toneladas de CO₂ no primeiro ano de aplicação em operações específicas. No transporte marítimo, a tecnologia pode economizar até 8% das emissões globais de gases de efeito estufa.
A viabilidade econômica dessas soluções está atrelada à redução do "green premium" (taxa verde). Enquanto o transporte de produtos de consumo da Ásia para a Europa via combustíveis renováveis acrescentaria apenas 50 centavos a um tênis de 100 euros, passagens aéreas teriam acréscimos entre 1 e 50 dólares, dependendo da distância. A projeção é que os combustíveis baseados em hidrogênio atinjam a paridade de custos com os fósseis na década de 2040.
Geograficamente, a Península Ibérica possui vantagem competitiva. Projeções indicam que, em 2030, Espanha e Portugal produzirão hidrogênio verde com custos aproximadamente 50% menores do que a Europa Central e os países nórdicos. Um exemplo desse avanço é o projeto Onuba, no sul da Europa, que com 300 MW será a maior instalação de hidrogênio verde da região dedicada ao setor energético.
Além dos combustíveis, a substituição de derivados de petróleo por materiais renováveis provenientes da madeira pode beneficiar até 15 indústrias, especialmente nos segmentos de moda, automotivo e embalagens. A fibra desse material é 45% mais eficiente em emissões de CO₂ do que o plástico.
A consolidação desse mercado depende agora de regulamentações claras e infraestrutura de transporte e comercialização. Normas como o ReFuelEU Aviation e o FuelEU Maritime já estabelecem metas e incentivos para a aviação e o transporte marítimo, transformando mandatos setoriais no principal vetor de demanda para acelerar a maturação econômica da tecnologia a médio prazo.