Economia

Nova proposta tarifária dos Estados Unidos pode impactar 21% das exportações brasileiras

03 de Junho de 2026 às 06:13

Proposta dos Estados Unidos prevê sobretaxa de 25% sobre 21% das exportações brasileiras, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Itens como petróleo bruto, café e aeronaves estão isentos, enquanto produtos de ferro, aço e sucos industrializados permanecem taxáveis. A decisão final ocorrerá em 15 de julho de 2026

Uma nova proposta tarifária dos Estados Unidos pode impactar 21% das exportações brasileiras, conforme dados do ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. A medida, anunciada em 1º de novembro, prevê a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O movimento ocorre após investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que concluiu que práticas brasileiras — como o sistema Pix, o desmatamento ilegal, a pirataria e lacunas em leis anticorrupção — restringem ou oneram o comércio norte-americano.

Atualmente, 25% das mercadorias enviadas ao mercado americano já estão sujeitas a taxas previstas na Seção 232, que incidem sobre autopeças, alumínio e aço. Outros 54% das exportações não possuem tarifas. A nova sobretaxa de 25% soma-se a esse cenário, embora o USTR tenha divulgado uma lista de exceções para preservar itens estratégicos. Estão isentos o petróleo bruto — principal produto da pauta em 2025, com vendas de US$ 4,7 bilhões (12,48% do total) —, além de aeronaves, café, celulose, carne bovina, fertilizantes, medicamentos, minério de ferro, cacau, semicondutores e metais preciosos.

Apesar das isenções, setores relevantes da indústria brasileira permanecem vulneráveis. Os produtos semiacabados de ferro e aço, que foram o segundo item mais exportado em 2025 (US$ 3,36 bilhões ou 8,92% do total), não foram incluídos na lista de exceções, assim como lingotes e formas primárias de aço. No segmento de ferro-gusa, spiegel e ferro-esponja, que movimentou US$ 1,74 bilhão (4,63% da pauta), apenas as ferroligas e certos tubos de aço para aviação foram preservados.

No setor agroindustrial, os sucos de frutas e vegetais enfrentam risco, com exportações de US$ 1,61 bilhão (4,28% do total) em 2025, já que a isenção abrange frutas frescas, secas e polpas, mas exclui os sucos industrializados. A área de engenharia civil também é afetada: equipamentos e instalações para obras, que somaram US$ 1,38 bilhão (3,67% do total), ficam de fora do benefício, que se restringiu a máquinas do setor aeronáutico.

Outras categorias sem isenção incluem cal e cimento (US$ 794 milhões), máquinas de energia elétrica de uso geral (US$ 660 milhões), óleos e gorduras animais (US$ 450 milhões) e madeira compensada ou aglomerada (US$ 360 milhões). No caso de pneus de borracha (US$ 536 milhões) e motores de pistão (US$ 435 milhões), a isenção é válida apenas para produtos destinados à aviação. A alumina (US$ 463 milhões) também permanece taxável, enquanto apenas a bauxita foi isenta.

Este novo cenário sucede a decisão da Suprema Corte dos EUA, que anulou tarifas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), derrubando sobretaxas de 40% e taxas recíprocas de 10%. Em resposta, o governo de Donald Trump implementou uma tarifa global de 10% para importações de qualquer origem, exceto para itens já taxados pela Seção 232. Esta última mantém alíquotas de 25% sobre aço e alumínio, independentemente da procedência.

A aplicação da nova tarifa de 25% da Seção 301 ainda passará por etapas administrativas. Estão previstas consultas públicas e uma audiência em 6 de julho de 2026, com a decisão final esperada para 15 de julho de 2026.

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