OOCL Wisdom torna-se o maior navio movido a metanol já entregue no mundo
O navio OOCL Wisdom, com capacidade para 24.168 TEU, foi entregue em 8 de maio de 2026 no estaleiro NACKS, na China. A embarcação dual-fuel a metanol operará na rota Ásia-Europa e é a primeira de uma série de sete navios previstos até 2028

O navio OOCL Wisdom, com capacidade para 24.168 TEU, tornou-se a maior embarcação dual-fuel a metanol já entregue, superando a classe Ane Mærsk por cerca de 7 mil contêineres por viagem. A unidade foi entregue em 8 de maio de 2026, no estaleiro NACKS, em Nantong, província de Jiangsu, sendo a primeira de uma série de sete navios com a mesma tecnologia previstos para entrar em operação até 2028.
Controlada pela COSCO Shipping, segunda maior operadora de contêineres do mundo, a OOCL destinará o Wisdom à rota Ásia-Europa, conectando portos como Shanghai, Singapura, Roterdã e Hamburgo. Essa rota movimenta anualmente 25 milhões de TEUs. A embarcação possui 399,9 metros de comprimento, 61,3 metros de largura e 36,2 metros de altura entre a quilha e a ponte do passadiço. Equipado com um motor MAN B&W 11G95ME-LGIM de 70 MW, o navio atinge 22 nós de velocidade máxima e autonomia para percorrer 21.000 milhas náuticas com um único carregamento de metanol.
O sistema dual-fuel permite a alternância entre fuel oil convencional e metanol. A utilização de metanol verde reduz as emissões de CO2 em até 95% comparado ao combustível pesado, alinhando-se à meta da Organização Marítima Internacional (IMO) de reduzir as emissões do setor em 50% até 2050. Para viabilizar a operação dos sete navios da série exclusivamente com metanol produzido via hidrogênio verde e CO2 capturado, a OOCL firmou contrato com a Renewable Methanol Production para o fornecimento anual de 250 mil toneladas do combustível.
A iniciativa ocorre em um cenário onde o setor marítimo consome 4 milhões de barris de bunker por dia, o equivalente a 4% do consumo global de petróleo, que é de 102 milhões de barris diários. O OOCL Wisdom é o primeiro navio dual-fuel a receber a certificação ECO+ICE do Lloyd’s Register, que servirá de parâmetro para futuras classificações de navios verdes.
A predominância chinesa na indústria naval é evidenciada pelo fato de o país ter respondido por 70% das entregas mundiais de navios em 2025, com filas de espera para novos porta-contêineres que já superam quatro anos. Em contraste, o Brasil entregou apenas 0,4% da capacidade global no mesmo período. O cenário nacional é marcado pela paralisação do Estaleiro Atlântico Sul, no Recife, desde 2020, e pela operação do estaleiro Mauá, em Niterói, abaixo de sua capacidade. Essa dependência obriga a Petrobras a importar quase a totalidade dos novos navios para a frota da Transpetro, a exemplo dos dois maiores VLOCs entregues à Vale em 2024, construídos na China.
Apesar do avanço tecnológico, a Maersk aponta que o suprimento global de metanol verde permanece como o principal gargalo. Enquanto a Maersk negocia 12 unidades semelhantes em estaleiros sul-coreanos e a CMA CGM encomendou cinco megaships dual-fuel a GNL na China, há alertas sobre um possível excesso de capacidade no segmento entre 2027 e 2029. Como alternativa para suprir a demanda, a Petrobras estuda a produção de biometanol a partir da cana-de-açúcar brasileira para o mercado marítimo.