Paraguai registra crescimento econômico médio de 5,5% ao ano nos últimos três anos
O Paraguai cresceu 5,5% ao ano nos últimos três anos, impulsionado pelo agronegócio, energia limpa e baixa carga tributária. O desempenho resultou na redução da pobreza, menor desemprego em 13 anos e Investimento Estrangeiro Direto de US$ 931 milhões em 2024. Agências de risco elevaram a classificação do país, enquanto o FMI projeta crescimento de 3,7% para 2026
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O Paraguai registrou um crescimento econômico médio de 5,5% ao ano nos últimos três anos, superando a média da América do Sul. Esse desempenho resultou na retirada de aproximadamente 300 mil pessoas da pobreza nos últimos dois anos e no menor índice de desemprego em 13 anos, atingido em 2025.
A expansão é sustentada por três pilares principais: a força do agronegócio, o potencial energético e a baixa carga tributária. A agropecuária, que engloba cultivos e indústrias dependentes, representa quase dois terços da atividade econômica. Após uma contração em 2022 devido a uma seca severa, o setor se recuperou a partir de 2023 com colheitas robustas, impulsionando as exportações de soja, carne bovina e suína, além da atividade florestal. O país tem diversificado seus destinos comerciais, mantendo Taiwan como parceiro estratégico e buscando outros mercados asiáticos.
No setor energético, o Paraguai se consolidou como o maior exportador per capita de eletricidade limpa do mundo, utilizando as represas de Itaipu e Yaciretá. Essa abundância de energia renovável barata atraiu investimentos em centros de processamento de dados, inteligência artificial e fabricação de alta tecnologia, atraindo interesse de empresas privadas e governos dos Estados Unidos e Taiwan. Paralelamente, o país expande a produção de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, para diversificar a matriz energética.
A competitividade fiscal também é um fator determinante. Com alíquotas fixas de 10% para imposto de renda, IVA e impostos corporativos, o Paraguai possui a segunda menor pressão fiscal da América Latina (14% do PIB), atrás apenas do Panamá. Esse cenário, somado à estabilidade política e à localização geográfica central no Cone Sul, elevou o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que atingiu US$ 931 milhões em 2024, alta de 15% em relação ao ano anterior. Um exemplo desse fluxo é a fábrica de celulose da Paracel, com investimentos superiores a US$ 4 bilhões, o maior projeto privado da história do país.
Esses indicadores levaram agências de risco a elevar a classificação do país. A Moody's promoveu o Paraguai para grau de investimento, a S&P elevou a nota para BBB em dezembro de 2025 e a Fitch alterou a perspectiva para positiva em outubro de 2025. Tais movimentos reduzem o custo de financiamento e facilitam o acesso a capitais internacionais.
Na infraestrutura, o país investe no Corredor Bioceânico — rodovia de 3,5 mil quilômetros que ligará o porto de Santos (SP) aos portos chilenos de Iquique e Antofagasta —, o que deve reduzir custos logísticos em 25% e o tempo de transporte para a Ásia em até 14 dias. Além disso, uma parceria público-privada de US$ 500 milhões melhorou a dragagem e sinalização da hidrovia Paraguai-Paraná, consolidando a terceira maior frota fluvial do mundo.
Apesar do avanço, a distribuição de renda permanece desigual, com o índice de Gini em 0,45. A pobreza extrema atingiu o mínimo histórico de 2,4% e a pobreza geral caiu para 16% nas últimas duas décadas, mas a disparidade persiste: a pobreza rural chega a 40%, contra 15% nas zonas urbanas. No mercado de trabalho, embora 260 mil empregos tenham sido criados nos últimos três anos para uma força de trabalho de 3,4 milhões de pessoas, seis em cada dez trabalhadores atuam na informalidade. Mesmo com alta de 5% nos salários reais no último ano, muitas famílias não recuperaram o poder de compra perdido durante períodos de inflação alimentar.
A economia agora transita para uma fase de maior estabilidade. As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam um crescimento de 3,7% para 2026, valor inferior aos 6,6% registrados no ano anterior. O desafio do governo de Santiago Peña será converter a confiança dos investidores em infraestrutura e produtividade, garantindo que a estabilidade macroeconômica se traduza em empregos de melhor qualidade e bem-estar social amplo.