Petróleo Brent fecha julho a 83,30 dólares em meio a instabilidades no Oriente Médio
O barril do petróleo Brent fechou julho a US$ 83,30, impulsionado por conflitos entre Estados Unidos e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz. No Brasil, o diesel e a gasolina subiram cerca de 10% e 5% desde fevereiro, enquanto o governo investiu mais de R$ 30 bilhões para conter a inflação
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O barril do petróleo Brent, referência internacional, encerrou o mês de julho cotado a US$ 83,30. A alta reflete a instabilidade gerada por novos ataques entre Estados Unidos e Irã, além da retomada do bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, região estratégica por onde transita aproximadamente 20% do comércio global de petróleo.
Apesar da recuperação recente, o valor permanece distante do pico de US$ 118,03 registrado em abril, após a commodity ter passado por um período de queda com cotações próximas a US$ 70.
Impactos no mercado brasileiro
No Brasil, a redução anterior nos preços internacionais não foi repassada integralmente aos consumidores. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que, desde o início do conflito em fevereiro, o diesel e a gasolina acumulam altas de cerca de 10% e 5%, respectivamente.
Para mitigar a inflação, o governo federal investiu mais de R$ 30 bilhões em medidas de contenção. A Petrobras também atuou para evitar o repasse imediato de reajustes nos momentos mais críticos. Recentemente, a companhia reduziu o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,35, porém a medida apenas compensou o término de um subsídio governamental, mantendo os preços para as distribuidoras inalterados.
Cenário geopolítico e oferta global
A instabilidade no Oriente Médio persiste mesmo após um acordo preliminar assinado em meados de junho. A trégua foi rompida por trocas de mísseis e drones, levando as nações a novas rodadas de negociações mediadas por Catar e Paquistão.
A tensão foi agravada por ações de Donald Trump, que além do bloqueio naval, chegou a ameaçar a cobrança de um pedágio de 20% sobre as cargas no Estreito de Ormuz, proposta posteriormente substituída por intenções de acordos comerciais e de investimentos com países do Golfo.
A oferta global de petróleo enfrenta pressão devido ao tráfego limitado no canal e à demanda elevada provocada pelo verão no Hemisfério Norte, que aumenta o consumo de energia nos EUA e na Europa. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, aponta que os estoques da OCDE e dos Estados Unidos encontram-se em níveis historicamente baixos.
Perspectivas de preços e subsídios
O governo federal adiou a decisão sobre a retirada do subsídio à gasolina em função da nova escalada do conflito. Paralelamente, houve o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, que passou de 30% para 32%.
Contudo, essa alteração na composição do combustível não deve gerar reduções significativas nos postos. O fator determinante para a variação dos preços seguirá sendo a volatilidade do mercado internacional e a transmissão desses movimentos aos produtos importados que chegam ao Brasil.