Petróleo Brent sobe mais de 9% após Trump anunciar taxa sobre o Estreito de Ormuz
O petróleo Brent subiu mais de 9%, atingindo US$ 83,04, após Donald Trump anunciar a intenção dos EUA de controlar o Estreito de Ormuz com a aplicação de uma taxa de 20% sobre as cargas
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, registrou alta superior a 9% nesta segunda-feira (13), atingindo a cotação de US$ 83,04. O movimento ocorreu após o anúncio de Donald Trump sobre a intenção dos Estados Unidos de assumirem o controle do Estreito de Ormuz, com a implementação de uma taxa de 20% sobre as cargas que transitam pela rota.
A região é estratégica para a matriz energética global, sendo responsável pela passagem de aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo, conectando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.
Volatilidade e o "novo normal"
O mercado de energia estabeleceu um novo padrão de comportamento, caracterizado por oscilações bruscas de preços mesmo sem a interrupção efetiva da oferta. Diferente do início do conflito, quando o temor era a disparada dos preços por falta de suprimentos, o cenário atual é definido pela incerteza e volatilidade.
Essa dinâmica transformou o Estreito de Ormuz na principal referência para a formação de preços do petróleo no curto e médio prazo. O risco geopolítico agora integra o custo diário de seguros marítimos e fretes, tornando as cotações sensíveis a qualquer declaração política ou ameaça entre Irã e Estados Unidos.
Esse contexto de instabilidade é ampliado por crises em outras regiões estratégicas, como a guerra entre Rússia e Ucrânia. Juntas, o Oriente Médio e a Rússia impactam a oferta global de gás natural, petróleo e insumos agrícolas, estreitando a relação entre segurança energética, segurança alimentar e inflação.
Impactos econômicos e políticos nos EUA
A instabilidade nos preços da commodity reflete diretamente no mercado interno norte-americano, onde o governo não controla os preços da gasolina. A associação automobilística AAA registrou que a média nacional do combustível subiu para US$ 3,84 por galão em 9 de julho, um incremento de 5 centavos em apenas um dia. Embora o valor esteja abaixo do pico de US$ 4,56 visto em maio, a tendência de alta pressiona a economia.
Para o governo de Donald Trump, a manutenção de preços baixos de energia é a principal estratégia para estimular a economia e conter a inflação. O Irã, ao utilizar o Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão, atinge a vulnerabilidade dos Estados Unidos no impacto direto ao consumidor.
O cenário torna-se crítico diante das eleições de meio de mandato em novembro, nas quais estão em jogo 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado, atualmente controladas pelos republicanos. A projeção é que um barril acima de US$ 90 represente um problema político significativo para a Casa Branca.
Historicamente, a commodity já demonstrou alta volatilidade nesse contexto, chegando a tocar os US$ 120 por barril entre março e abril, durante o auge das tensões no estreito.