Economia

Preços do petróleo seguem 30% acima dos níveis anteriores ao conflito entre EUA, Israel e Irã

04 de Junho de 2026 às 12:28

Preços do petróleo seguem 30% superiores aos níveis anteriores ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O tráfego no Estreito de Ormuz opera abaixo do volume normal, enquanto danos estruturais no setor podem custar até 58 bilhões de dólares. A AIE projeta escassez de insumos entre julho e agosto

Preços do petróleo seguem 30% acima dos níveis anteriores ao conflito entre EUA, Israel e Irã
REUTERS/Stringer

Os preços do petróleo permanecem cerca de 30% acima dos patamares registrados antes do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que completa 100 dias. Esse cenário encarece a gasolina, o diesel e os fertilizantes, o que pressiona a inflação global, desorganiza as cadeias de suprimentos e eleva o custo dos alimentos em escala mundial.

Apesar de negociações de paz e de um cessar-fogo iniciado em 8 de abril, o tráfego no Estreito de Ormuz — via por onde circula 20% do petróleo global — opera em fração do volume normal. O Lloyd's de Londres mantém elevados os prêmios de risco de guerra para as travessias na região. A reabertura total da via enfrenta a cautela de armadores e tripulações, intensificada por ataques a embarcações ocorridos na última semana.

A normalização do mercado de energia não deve ser imediata, mesmo com a assinatura de um acordo de paz. A Saudi Aramco estima que o reequilíbrio do mercado levaria meses, podendo se estender até 2027 caso o fechamento do estreito dure mais algumas semanas. Para que as empresas de transporte retomem as operações, será necessário um período de observação de 30 a 45 dias e a implementação de patrulhas navais internacionais. Além disso, a saída segura dos petroleiros retidos no Golfo Pérsico e a chegada de novos navios podem demandar oito semanas ou mais.

O setor enfrenta ainda danos estruturais severos. A consultoria Rystad Energy estimou, em abril, que os custos para reparar campos de petróleo, oleodutos, refinarias e terminais de gás natural liquefeito (GNL) variam entre 25 bilhões e 58 bilhões de dólares. No Catar, ataques iranianos comprometeram 17% da capacidade de GNL do complexo de Ras Laffan, com reparos previstos para ocorrer entre três e cinco anos. Outras instalações, paradas desde março, exigem inspeções rigorosas contra corrosão e detritos antes de operarem. No âmbito jurídico, disputas contratuais por entregas de GNL não realizadas podem impactar cronogramas de transporte até 2027.

No plano macroeconômico, a sustentabilidade da oferta global está ameaçada. Para compensar a falta de insumos do Golfo, os Estados Unidos elevaram a produção a níveis recordes, a China reduziu importações em 3,5 milhões de barris por dia utilizando reservas estratégicas e países da Agência Internacional de Energia (AIE) recorreram aos seus estoques.

Contudo, a AIE projeta que o mercado possa entrar em uma zona crítica entre julho e agosto, à medida que os estoques americanos atinjam níveis baixos e a China retome as importações. Esse cenário de escassez pode forçar a dobra dos preços do petróleo para reduzir a demanda, elevando o risco de uma recessão global.

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