Presidente do Banco Central assume responsabilidade por falhas de comunicação na última decisão do Copom
Gabriel Galípolo admitiu falhas na comunicação da última decisão do Copom, que gerou reações negativas do mercado. O Banco Central manteve a queda da Selic para evitar custos financeiros excessivos, apesar de riscos inflacionários. O presidente do BC rejeitou a adoção de guidance para não comprometer a eficácia da política de juros
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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, assumiu a responsabilidade por ruídos de comunicação na última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), ocorrida na semana passada. O mercado reagiu negativamente à ata divulgada na terça-feira (23), interpretando que a autoridade monetária adotaria uma postura menos rigorosa no combate à inflação ao optar por manter o ciclo de queda da Selic, mesmo com a deterioração das perspectivas inflacionárias para os próximos anos.
A decisão de não interromper os cortes da taxa básica de juros fundamentou-se na avaliação de que tal medida causaria um aumento excessivo dos custos financeiros, desacelerando a economia além do necessário para o controle de preços a longo prazo. O Banco Central justificou a estratégia com base em boas práticas que desaconselham reações integrais a variações de preços originadas por choques de oferta, como a instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio.
A ata do Copom introduziu a menção de que o balanço de riscos apresenta agora uma assimetria altista, detalhe ausente no comunicado da decisão. Embora esse ponto indique uma tentativa de tom mais rígido, outros elementos do documento sugeriram a direção oposta, gerando a incompreensão mencionada por Galípolo. O presidente do BC atribuiu a falha à tentativa de condensar informações complexas em um espaço conciso no comunicado.
Durante a apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, Galípolo detalhou que a instituição enfrenta pressões distintas. A primeira decorre do desgaste social e político causado por juros mantidos centenas de pontos-base acima da taxa neutra. A segunda pressão manifesta-se na demanda do mercado por previsibilidade e sinalizações sobre passos futuros da política monetária.
Sobre a solicitação de *guidance*, o presidente do Banco Central afirmou que a antecipação de decisões pode comprometer a eficácia da política de juros. Ele ressaltou que a prática não é recomendada pela literatura técnica nem adotada por outros bancos centrais em cenários de incerteza, defendendo a distinção entre a clareza da comunicação e a antecipação de medidas futuras.