Projeções do Boletim Focus indicam que a inflação oficial superou o intervalo da meta este ano
O Boletim Focus do Banco Central elevou a projeção do IPCA para 5,11% este ano, superando o intervalo da meta. A estimativa de crescimento do PIB foi ajustada para 1,91% e a do dólar para R$ 5,15 ao final do ano

As projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiram para 5,11% este ano, contra a estimativa anterior de 5,09%. O dado, divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Boletim Focus do Banco Central, indica que a inflação oficial superou o intervalo da meta após a décima terceira semana consecutiva de altas nas previsões, impulsionada principalmente pela pressão nos preços dos combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio.
Para os anos seguintes, as estimativas de inflação são de 4,03% em 2027, 3,65% em 2028 e 3,5% em 2029. No cenário recente, o IBGE registrou que o IPCA fechou abril com alta de 0,67%, influenciado pelo custo dos alimentos, enquanto o acumulado de 12 meses atingiu 4,39%, mantendo-se ainda dentro do teto da meta. O próximo índice mensal será publicado na sexta-feira (12).
A taxa Selic, principal ferramenta de controle inflacionário, está fixada em 14,5% ao ano. Em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros em 0,25 ponto percentual por unanimidade, repetindo o movimento da reunião anterior. Esse recuo ocorreu após um período entre junho de 2025 e março deste ano em que a taxa permaneceu em 15%, o patamar mais elevado em quase duas décadas.
Apesar do corte recente, a instabilidade no Oriente Médio e a alta de alimentos e combustíveis impõem desafios ao Copom. Em ata, o Banco Central afirmou monitorar a duração do conflito e seus impactos nos preços, sem detalhar a trajetória futura dos juros. A próxima definição da Selic ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho.
As instituições financeiras elevaram a projeção da taxa básica para o fim de 2026, de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é de queda para 11,5% e 10%, respectivamente, mantendo-se em 10% em 2029.
Quanto à atividade econômica, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano foi ajustada de 1,9% para 1,91%. A projeção para 2027 é de 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 a estimativa de expansão é de 2%. Historicamente, o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, com avanço em todos os setores e protagonismo da agropecuária, somando cinco anos consecutivos de alta. Já no primeiro trimestre de 2026, houve crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior, com expansão anualizada de 2%, segundo o IBGE.
No mercado de câmbio, o Boletim Focus projeta o dólar a R$ 5,15 ao final deste ano e a R$ 5,20 no encerramento de 2027.