Reajuste de planos de saúde coletivos registra a menor variação em cinco anos no início de 2026
Planos de saúde coletivos tiveram reajuste médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, a menor variação em cinco anos. O índice da ANS superou a inflação de fevereiro, que foi de 3,81%, com altas de 8,71% para contratos com 30 ou mais beneficiários e 13,48% para apólices com até 29 clientes

Os planos de saúde coletivos registraram um reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, a menor variação observada em cinco anos. O índice, divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na sexta-feira (8), supera em mais que o dobro a inflação oficial de fevereiro de 2026, que foi de 3,81% segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A disparidade entre os reajustes varia conforme o porte do contrato. Planos com 30 ou mais beneficiários tiveram alta média de 8,71%, enquanto as apólices com até 29 clientes subiram 13,48%. A modalidade para grupos maiores concentra 77% dos clientes do setor.
Diferente dos contratos individuais ou familiares, nos quais a ANS define o valor da mudança, os reajustes coletivos resultam de negociações livres entre a operadora ou administradora e a pessoa jurídica contratante. A agência reguladora argumenta que a comparação direta com a inflação é imprecisa, pois o cálculo do setor considera a frequência de uso dos serviços e a variação de preços de insumos e produtos de saúde. Essa perspectiva contrasta com a posição do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), que questiona aumentos superiores ao índice inflacionário.
Historicamente, o setor apresenta oscilações significativas. Após picos de 15,74% em 2016 e 14,13% em 2023, o índice caiu para 6,43% em 2021, reflexo da redução de cirurgias eletivas, exames e consultas durante o isolamento social da pandemia de covid-19. A trajetória recente mostrau altas de 13,18% em 2024 e 10,76% em 2025.
Em março de 2026, o mercado brasileiro somava 53 milhões de vínculos de saúde suplementar, um crescimento de 906 mil em doze meses, sendo que 84% desses usuários utilizam planos coletivos. Financeiramente, o setor atingiu em 2025 a receita total de R$ 391,6 bilhões, com um lucro líquido recorde de R$ 24,4 bilhões, o que representa um retorno de R$ 6,20 para cada R$ 100 recebidos.