Reino Unido e países do Golfo firmam acordo comercial que deve movimentar US$ 5 bilhões anualmente
Reino Unido e Conselho de Cooperação do Golfo firmaram acordo comercial com movimentação anual estimada em US$ 5 bilhões. O tratado elimina 93% das tarifas sobre mercadorias britânicas e amplia a proteção a investidores em três países do bloco
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O Reino Unido firmou um acordo comercial com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que deve movimentar aproximadamente US$ 5 bilhões (R$ 25,2 bilhões) anualmente a longo prazo. O montante supera a projeção inicial de 1,6 bilhão de libras (US$ 2,1 bilhões ou R$ 10,8 bilhões), resultado de compromissos ampliados no setor de serviços e na liberalização do comércio.
O tratado prevê a eliminação de 93% das tarifas aplicadas pelos países do CCG — Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — sobre mercadorias britânicas. A medida representa uma economia de cerca de 580 milhões de libras (US$ 777 milhões ou R$ 3,9 bilhões) em taxas ao longo de uma década, sendo que dois terços desses impostos serão removidos imediatamente após a implementação do acordo.
Os setores de eletrônicos, aeroespacial, automotivo e de alimentos e bebidas serão os principais beneficiados, com isenção tarifária para itens como manteiga, chocolate, queijo cheddar e cereais. Do lado britânico, houve redução de tarifas para os parceiros do Golfo, embora o petróleo e o gás, principais exportações da região, já não fossem tributados.
No segmento de serviços, o Reino Unido preservou as regras de acesso ao mercado do CCG para evitar novas barreiras à expansão de suas empresas, enquanto as nações do Golfo terão espaço para desenvolver seus próprios setores. O pacto também estende regras de proteção ao investidor a três países do bloco que não possuíam tais garantias, incluindo um mecanismo que permite a investidores processar o governo britânico.
A negociação ocorre em um cenário de instabilidade regional, após ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã em fevereiro, que impactaram a oferta de alimentos e energia.
Sobre as normativas internas, o governo britânico assegurou que os padrões de proteção de dados e ambiental foram mantidos. Contudo, o texto não contempla cláusulas sobre direitos humanos, ponto que levou Tom Wills, diretor do Trade Justice Movement, a classificar a omissão como um retrocesso moral.