Economia

Reservas de voos da Europa para cidades-sede da Copa do Mundo registram queda em junho e julho

11 de Junho de 2026 às 12:08

Reservas de voos da Europa para cidades-sede da Copa do Mundo caíram 3,8% em junho e julho, com recuo de 15,8% para Nova York. A baixa demanda e custos elevados de ingressos e vistos levaram hotéis a reduzirem tarifas, enquanto aluguéis de temporada registraram crescimento

Reservas de voos da Europa para cidades-sede da Copa do Mundo registram queda em junho e julho
Angelina Katsanis/Reuters

As reservas de voos da Europa para a maioria das cidades-sede da Copa do Mundo registraram queda média de 3,8% em junho e julho, segundo a Cirium. O recuo é mais acentuado no caso de Nova York, onde a demanda de viajantes europeus despencou 15,8% para a cidade que sediará a final em 19 de julho. Enquanto a Fifa projetava a chegada de 1,2 milhão de torcedores à metrópole, a associação de hotéis local estima apenas 500 mil visitantes.

A média de reservas nas cidades-sede subiu apenas 0,5% em relação ao ano anterior, conforme dados da CoStar. Esse cenário forçou a redução de tarifas hoteleiras; em Nova York, o New York Hilton Midtown cortou os preços pela metade, fixando a diária do torneio em US$ 415, valor inferior ao anunciado em dezembro.

O setor de viagens e turismo nos Estados Unidos enfrenta a queda de visitantes internacionais, impactada por custos elevados e entraves logísticos. O preço dos ingressos mais baratos em sedes como Miami e Nova York beira os US$ 1.000, de acordo com a TicketData. A Fifa implementou preços básicos recordes e a adoção de preços dinâmicos, além de permitir a revenda sem limite de valor, o que inflacionou os custos.

A complexidade para a obtenção de vistos é outro fator impeditivo, já que torcedores de mais da metade dos países classificados necessitam do documento. A incerteza é agravada pelo rigor na fiscalização das fronteiras, exemplificado pela negativa de entrada do governo Trump a um árbitro somali sob alegações de ligações com organizações terroristas.

A demanda de última hora permanece moderada devido à dificuldade de garantir vistos e passagens em curto prazo, mesmo com a possível redução dos preços dos ingressos. A Roadtrips, empresa de viagens de luxo, indica que até o público de alta renda tem adiado a compra de pacotes para aguardar a definição dos confrontos e o avanço de suas seleções.

Em contrapartida, o mercado de aluguéis de temporada apresenta crescimento. A Airbnb projetou que a Copa do Mundo seja seu maior evento histórico, e a AirDNA confirmou alta nas reservas de acomodações econômicas em cidades como Los Angeles e Boston. As tarifas médias diárias reservadas nessas sedes foram de US$ 218, mas as novas reservas a partir de 8 de junho subiram para US$ 335, reflexo do aumento de preços aplicado pelos anfitriões para capturar a demanda tardia.

Apesar dos indicadores iniciais, hotéis esperam recuperação após a fase de grupos. Recentemente, houve um leve aumento nas reservas de torcedores da Noruega e do Reino Unido. A Marriott afirmou que ainda há volume considerável de reservas a serem feitas, dado que a segunda metade da competição ainda não teve seus jogos definidos. A Hilton, que em abril relatou forte volume de reservas impulsionadas por Nova York, não comentou a situação atual. A Fifa não se manifestou sobre os fatos.

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