Economia

Sapore investe R$ 50 milhões em sistema de gestão para reduzir desperdício de alimentos

24 de Maio de 2026 às 15:05

A Sapore faturou R$ 3,6 bilhões em 2025 e investe R$ 50 milhões em um sistema de gestão SAP para reduzir desperdícios. A empresa implementa fornos com inteligência artificial, avalia robôs humanoides e diversifica a atuação com a compra da Galeria dos Pães

Sapore investe R$ 50 milhões em sistema de gestão para reduzir desperdício de alimentos
Sapore avalia robôs humanoides na China e no Japão para automatizar tarefas em 1.400 restaurantes e reduzir impactos da escala 6×1.

A Sapore, multinacional brasileira de refeições corporativas com atuação no Brasil e na Colômbia, registrou receita líquida de R$ 3,6 bilhões em 2025. Para sustentar esse volume operacional, a companhia, fundada em 1992 por Daniel Mendez, investe R$ 50 milhões em um sistema de gestão SAP. A ferramenta, que deve cobrir toda a operação até 2028 e já está implantada em metade dos restaurantes, visa conectar as unidades para mapear o consumo com base em clima e calendário. Nas unidades onde o sistema já opera, o desperdício mensal de alimentos foi reduzido de 10 toneladas para 240 quilos, substituindo a percepção intuitiva de gerentes por indicadores de demanda e estoque.

A estratégia de modernização inclui a implementação de fornos com inteligência artificial para padronizar a produção de larga escala e a avaliação de robôs humanoides, provenientes de China e Japão. O objetivo é mecanizar tarefas repetitivas e de baixa complexidade, como o recolhimento de bandejas, a separação de resíduos e o encaminhamento de utensílios para a lavagem. Embora o custo inicial seja elevado, a empresa projeta viabilidade econômica ao aplicar a tecnologia em escala industrial nos 1.400 restaurantes e 400 unidades de serviços — que englobam manutenção, higienização e controle de acesso — da rede.

A busca por automação é uma resposta à escassez de mão de obra e à alta rotatividade no setor de alimentação fora do lar. Daniel Mendez aponta que funções operacionais perderam atratividade, especialmente para jovens que não aceitam mais a progressão lenta na hierarquia de cozinhas profissionais. Esse cenário é agravado por pressões regulatórias, como a atualização da NR-1, que a partir de 26 de maio de 2026 passará a incluir riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, exigindo maior atenção à saúde mental e à organização do trabalho.

A gestão de pessoas na Sapore também enfrenta a incerteza sobre a escala 6x1, tema em debate no Congresso Nacional. Atualmente, 30% do quadro de 23 mil funcionários trabalha nesse regime, enquanto 35% atuam na escala 5x2. O restante da força de trabalho participa de testes com modelos alternativos, como 2x2 e 12x36, adaptados a clientes de áreas remotas, como mineradoras, petroquímicas e hospitais. Mendez indica que a transição de escalas gera impactos financeiros, mas que os testes preliminares já mostram redução no absenteísmo.

Paralelamente, a companhia lida com a robotização de seus próprios clientes corporativos, o que reduz o volume de refeições servidas em restaurantes internos. Como contrapartida a essa queda de demanda, a Sapore diversifica seu portfólio com cardápios segmentados para veganos e pessoas com restrições alimentares, além de expandir sua atuação no varejo. Em maio de 2026, a empresa adquiriu a Galeria dos Pães, padaria tradicional de São Paulo, consolidando a estratégia de diversificação além do segmento corporativo.

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