Economia

Senado aprova nomeação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários

21 de Maio de 2026 às 06:28

O Senado aprovou a nomeação de Otto Lobo para a presidência da CVM e a de Igor Muniz para a diretoria do órgão. Lobo terá mandato até julho de 2027, sucedendo João Pedro Nascimento

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (20), a nomeação do advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com 31 votos favoráveis e 13 contrários. Na mesma sessão, o plenário ratificou a indicação de Igor Muniz para a diretoria da autarquia, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e responsável, entre outras atribuições, pela regulação de fundos de investimento.

Lobo assumirá um mandato tampão com término previsto para julho de 2027, completando o período remanescente da gestão de João Pedro Nascimento, que deixou a presidência em julho do ano anterior.

A escolha do advogado gerou divergências internas no governo. O Ministério da Fazenda, sob a gestão de Fernando Haddad e posteriormente de Dario Durigan, manifestou-se contra a indicação. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a preferência por Lobo junto ao senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator do processo. A indicação também é atribuída a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), embora este tenha negado publicamente a função de padrinho.

No mercado financeiro, a nomeação foi recebida com reservas devido a decisões tomadas por Lobo durante sua presidência interina na CVM, especificamente em relação ao Banco Master. O Tribunal de Contas da União questionou um voto de qualidade de Lobo que dispensou a Ambipar, empresa de gestão de resíduos com transações junto ao Banco Master, de realizar uma oferta pública de ações (OPA).

Essa decisão divergiu do entendimento técnico da CVM, que havia identificado uma operação coordenada entre o Banco Master e os empresários Tércio Bolenghi e Nelson Tanure para elevar artificialmente o preço das ações da companhia. Posteriormente, em outubro de 2025, a recuperação judicial da Ambipar foi aprovada, pouco antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro.

Antes da votação no plenário, Lobo passou por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a indicação também foi aprovada. Durante o interrogatório, o advogado afirmou que o caso da Ambipar foi alvo de incompreensão e alegou a inexistência de questionamentos formais dentro do órgão em favor da OPA, classificando-a como a mais curiosa da história da autarquia por não ter sido defendida por minoritários, pareceristas ou advogados nos dez meses seguintes.

Com informações de G1

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