Economia

Setor de petróleo brasileiro acumulou R$ 34,4 bilhões em pesquisa e inovação desde 1998

11 de Abril de 2026 às 18:59

Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor de petróleo brasileiro somaram R$ 34,4 bilhões desde 1998, sendo R$ 27,2 bilhões provenientes da Petrobras. A ANP exige o aporte de 1% da receita bruta de campos com pagamento de Participação Especial. Em 2024, a obrigação financeira totalizou R$ 4,2 bilhões

Desde 1998, o setor de petróleo no Brasil mobilizou R$ 34,4 bilhões destinados a pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Desse montante, a Petrobras foi responsável por R$ 27,2 bilhões, o que representa 79% do total, enquanto outras 16 companhias aportaram R$ 7,2 bilhões. A movimentação financeira recente mantém a tendência de crescimento: em 2024, a obrigação de investimento somou R$ 4,2 bilhões, e o ciclo de 2023 registrou a abertura de 6.143 novos projetos, com previsão de R$ 5,8 bilhões em aportes.

Esses valores derivam de uma cláusula contratual da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que obriga as concessionárias a investir 1% da receita bruta de campos que pagam Participação Especial. O Relatório de Gestão 2024 da ANP aponta que a carteira de projetos em execução totaliza R$ 14,1 bilhões, com a expectativa de que novas obrigações somem R$ 3,4 bilhões nos três primeiros trimestres de 2025.

O volume de recursos viabilizou tecnologias como o WellBot, sistema de operação autônoma de poços em zonas de instabilidade. Premiado no Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2019, o mecanismo utiliza algoritmos de inteligência artificial (IA) e controle preditivo para maximizar a produção sem a necessidade de intervenção humana direta, o que evita gastos de milhões de dólares e reduz riscos operacionais em profundidades superiores a 2.000 metros.

Outro avanço é o Projeto Cortex, desenvolvido pela Petrobras em cooperação com a UNESP e a PUC-Rio. A iniciativa aplica IA generativa em processos de perfuração, completação e abandono de poços, analisando milhões de documentos técnicos para reduzir o tempo de tomada de decisão de dias para segundos. O professor Arnaldo Cândido, da UNESP, afirma que a ferramenta impacta diretamente a produtividade dos profissionais da área.

A modernização inclui ainda o uso de visão computacional em operações offshore desde 2019, permitindo a detecção em tempo real de falhas de segurança, como a obstrução de rotas de fuga, acesso a áreas restritas e o uso incorreto de equipamentos de proteção individual (EPI). Complementarmente, a Petrobras investiu US$ 180 milhões em robôs submarinos e firmou parceria com a startup Wiise, com aporte de R$ 11,2 milhões, para a criação de gêmeos digitais e análise de risco. João Victor, engenheiro da Wiise, pontua que a automação de tarefas rotineiras permitirá que engenheiros foquem em decisões estratégicas.

O modelo de financiamento da ANP também beneficia instituições acadêmicas, como UFRJ, UFMG, Unicamp, PUC-Rio e UNESP, que desenvolvem sistemas autônomos para plataformas e redes neurais para interpretação sísmica. Entre os projetos está o ALINE, que utiliza modelos do tipo GPT para detectar gás natural em dados sísmicos. No setor privado, a Shell investiu no sistema OD OBN, com a meta de reduzir custos em R$ 250 milhões ao longo de cinco anos.

Em perspectiva global, o CEO da Aramco estima que a IA gere ganhos de US$ 5 bilhões em 2025, enquanto a McKinsey projeta que a manutenção preditiva reduza o tempo de inatividade entre 20% e 30%. No Brasil, a diretora de Engenharia da Petrobras, Renata Baruzzi, ressalta a necessidade de adaptação a um ambiente tecnologicamente complexo. O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) reforça que a obrigatoriedade legal do investimento foi o motor para a implementação de automação avançada e soluções digitais no país, diferenciando o modelo brasileiro de outras nações onde tais aportes dependem de decisões corporativas voluntárias.

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