Economia

Setores do agronegócio brasileiro buscam reverter tarifas de importação em audiência pública em Washington

06 de Julho de 2026 às 06:13

Exportadores de mel, café solúvel e pescados participam de audiência em Washington nesta segunda-feira (6) para evitar tarifas propostas por Donald Trump. O grupo busca reverter sobretaxas que variam entre 25% e 37,5%, fundamentadas em questões ambientais, trabalhistas e de pirataria. A defesa baseia-se na dependência dos Estados Unidos em relação aos produtos brasileiros para evitar desabastecimento e inflação interna

Setores do agronegócio brasileiro buscam reverter tarifas de importação em audiência pública em Washington
Jornal Nacional/ Reprodução

Representantes de três setores do agronegócio brasileiro cumprem agenda em Washington nesta segunda-feira (6) para tentar reverter a aplicação de tarifas propostas por Donald Trump. Empresas e associações de exportadores de mel, café solúvel e pescados participam de uma audiência pública com o objetivo de evitar sobretaxas que impactariam a competitividade brasileira e o mercado interno dos Estados Unidos.

As medidas protecionistas foram anunciadas em duas etapas. Em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, fundamentadas em investigações sobre pirataria, desmatamento ilegal e o sistema PIX. No dia seguinte, foram anunciadas taxas adicionais de 12,5% aplicadas a 60 países, incluindo o Brasil, devido a falhas no combate ao trabalho forçado. Embora a carne bovina tenha sido incluída em uma lista de exceções para evitar a alta de preços nos EUA — apesar de investigações sobre a concentração de mercado de frigoríficos brasileiros em solo americano —, o café solúvel, o mel e os pescados permanecem vulneráveis.

No setor de mel, a defesa, conduzida pela Associação Brasileira de Exportadores de Mel e pela Lambertucci Trade Solution, baseia-se na dependência americana do produto brasileiro. O Brasil supre 83% do mel orgânico e 75% do mel convencional importado pelos Estados Unidos. O argumento central é a inexistência de concorrência doméstica no segmento orgânico, já que a apicultura americana foca em polinização e mel convencional. A transição de áreas convencionais para orgânicas levaria ao menos um ano, tornando a substituição do fornecimento brasileiro inviável a curto prazo e resultando em desabastecimento e inflação para o consumidor americano.

O café solúvel é o único derivado do café que não obteve isenção, diferentemente dos grãos, do café torrado e do moído. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), com suporte da BMJ Consultores Associados, destaca que o Brasil representou 37% das importações americanas do produto em 2024. Como os Estados Unidos produzem apenas 6% do café solúvel que consomem, a taxação elevaria os preços internos e prejudicaria empresas americanas responsáveis pelo envase e distribuição. A Abics refuta a tese de reindustrialização do setor nos EUA, apontando que a instalação de novas plantas levaria de quatro a cinco anos e ainda exigiria a importação de matéria-prima.

Já o setor de pescados, representado pela National Fisheries Institute (NFI) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), enfrenta a possibilidade de tarifas de 37,5%. O Brasil detém 5% das importações americanas de pescado, mas é visto como um fornecedor estratégico para reduzir a dependência dos EUA em relação à China, especialmente no caso da tilápia. A defesa enfatiza que a produção brasileira segue normas internacionais de segurança alimentar, padrões trabalhistas e ambientais, sendo predominantemente artesanal. A NFI já alertou o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) que a taxação pressionaria a inflação, dado que os estoques pesqueiros americanos operam no limite sustentável e não possuem substitutos geográficos ou climáticos internos.

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