Economia

SpaceX capta US$ 75 bilhões via IPO para expandir projetos de inteligência artificial e infraestrutura orbital

13 de Junho de 2026 às 06:09

A SpaceX captou US$ 75 bilhões via IPO para investir em inteligência artificial, infraestrutura orbital e redes de comunicação. Em 2025, a empresa realizou 170 dos 181 lançamentos orbitais dos Estados Unidos, enquanto a China efetuou 92 missões. A rede Starlink detinha cerca de 10 mil dos 14,1 mil satélites ativos no planeta ao final do ano passado

A SpaceX captou US$ 75 bilhões (R$ 382,6 bilhões) via Wall Street para impulsionar projetos de inteligência artificial, infraestrutura orbital e redes globais de comunicação. A movimentação, concretizada por meio de um IPO, marca a transição do financiamento de tecnologias estratégicas nos Estados Unidos, integrando o mercado financeiro a uma corrida tecnológica e geopolítica que envolve a liderança global nas próximas décadas.

Esse modelo de capital privado contrasta com a estratégia da China, onde o programa espacial é regido por metas governamentais, investimentos públicos de longo prazo e a atuação de empresas estatais. Enquanto Pequim mantém a centralidade do Estado, a companhia de Elon Musk utiliza a abertura de capital para financiar sua expansão, consolidando-se como a principal vitrine do sistema americano.

A superioridade dos Estados Unidos em volume de operações é evidenciada pelos dados de 2025. O país realizou 181 lançamentos orbitais, quase o dobro dos 92 registrados pela China, que ocupa a segunda posição global. A SpaceX, isoladamente, foi responsável por 170 dessas missões, superando o total de qualquer outra nação.

A vantagem americana é ainda mais expressiva na órbita terrestre e no controle de redes de comunicação. Ao final do ano passado, a rede Starlink detinha cerca de dois terços de todos os satélites ativos do planeta, com aproximadamente 10 mil unidades dos 14,1 mil equipamentos em operação. Em 2025, os EUA colocaram em órbita 3,4 mil satélites de comunicação de grande porte, sendo 3.267 destinados à constelação da SpaceX, enquanto a China lançou 195 satélites da mesma categoria.

Para tentar reduzir a distância, o governo chinês foca em dois projetos: a constelação estatal Guowang, com previsão de 13 mil satélites, e a iniciativa comercial Qianfan, planejada para ter mais de 1.296 unidades. A China utiliza sua capacidade industrial e a iniciativa Cinturão e Rota — que envolve mais de 150 países parceiros na Ásia, África e América Latina — para expandir sua influência via preços subsidiados e diplomacia. Contudo, a expansão chinesa enfrenta barreiras em mercados ocidentais devido a regras de exportação e restrições geopolíticas.

No cenário interno dos Estados Unidos, o financiamento público permanece ativo. A Nasa recebeu US$ 24,4 bilhões (R$ 124,5 bilhões) do orçamento federal para 2026, montante que representa 0,35% dos gastos do governo. Esses recursos sustentam programas próprios e contratos com empresas como Lockheed Martin, Northrop Grumman e Boeing, que participaram do desenvolvimento de sistemas para a missão Artemis II.

A escala de recursos necessária para projetos como o Starship, centros de processamento de dados em órbita e infraestrutura lunar justifica a busca por capital além dos investidores privados tradicionais. A posição estratégica da SpaceX é reforçada pela atuação de Elon Musk na gestão de Donald Trump, onde liderou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE).

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