Economia

SpaceX deve realizar a maior oferta pública inicial da história na Bolsa de Nova York

12 de Junho de 2026 às 09:15

A SpaceX estreia na Bolsa de Valores de Nova York nesta sexta-feira (12), com valor de mercado estimado em US$ 1,75 trilhão. A operação prevê a maior oferta pública inicial da história, com captação de US$ 75 bilhões e ações a US$ 135. Em 2025, a empresa registrou receita de US$ 18,7 bilhões e prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões

A SpaceX deve realizar sua estreia na Bolsa de Valores de Nova York nesta sexta-feira (12), com um valor de mercado estimado em US$ 1,75 trilhão (R$ 8,93 trilhões). A marca a colocaria como a oitava companhia mais valiosa do mundo. A operação prevê a maior oferta pública inicial (IPO) da história, com a captação de US$ 75 bilhões (R$ 382,6 bilhões).

Apesar da avaliação trilionária, a empresa opera no vermelho. Em 2025, a companhia registrou um prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões (R$ 24,9 bilhões), volume que superou a receita de US$ 18,7 bilhões (R$ 95,3 bilhões) do mesmo período. O valor de mercado projetado é elevado mesmo para empresas de crescimento rápido, equivalendo a cerca de 109 vezes a receita obtida no ano anterior. As ações devem ser negociadas a US$ 135 (R$ 688,64) cada.

O otimismo de Wall Street reflete uma mudança de percepção: a SpaceX deixou de ser vista apenas como fabricante de foguetes para ser compreendida como uma plataforma que integra conectividade, transporte espacial e inteligência artificial (IA). A Starlink, principal fonte de receita, sustenta a operação enquanto outros projetos de alto custo e longo prazo de retorno justificam os prejuízos bilionários.

A estratégia de crescimento baseia-se em três pilares principais. O primeiro é a expansão da Starlink através da tecnologia "direct-to-cell", que conecta celulares comuns a satélites sem a necessidade de antenas. A estimativa é que esse mercado atinja 1,1 bilhão de usuários até 2040, gerando anualmente mais de US$ 42 bilhões (R$ 214,2 bilhões).

O segundo eixo é a redução de custos de acesso ao espaço via Starship. A reutilização total da nave deve baixar os custos de lançamento em até 80%, viabilizando o transporte de mais carga e impulsionando a economia espacial.

O terceiro pilar é a infraestrutura de IA, operada pela xAI. Esta divisão integrou o chatbot Grok aos dados da rede social X e à Starlink. Em 2025, a área de IA faturou US$ 3,2 bilhões (R$ 16,3 bilhões), mas teve prejuízo operacional de US$ 6,3 bilhões (R$ 32,1 bilhões), reflexo de investimentos em infraestrutura e processamento que somaram mais de US$ 12,7 bilhões (R$ 64,8 bilhões).

A companhia também planeja controlar etapas da cadeia tecnológica com a Terafab, fábrica de chips no Texas com custo estimado em US$ 119 bilhões (R$ 607 bilhões), além de desenvolver a computação orbital para processamento de dados no espaço.

No longo prazo, a SpaceX projeta a construção de uma base permanente na Lua e a criação de uma colônia em Marte para até 1 milhão de pessoas, além de centros de processamento de dados em órbita alimentados por energia solar. O volume de recursos necessários para tais ambições tornou a abertura de capital o caminho natural para a empresa, superando a capacidade de rodadas privadas de investimento.

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