Economia

SpaceX estreia na bolsa de valores com valuation de 1,75 trilhão de dólares

12 de Junho de 2026 às 09:15

A SpaceX inicia a operação na bolsa de valores nesta sexta-feira (12) com valuation de US$ 1,75 trilhão. A empresa prioriza a exploração lunar para extração de recursos e industrialização, utilizando o foguete Starship. O plano inclui a criação de data centers orbitais e a manufatura em microgravidade

A SpaceX estreia na bolsa de valores nesta sexta-feira (12) com um valuation de US$ 1,75 trilhão (R$ 8,93 trilhões), montante que reflete a aposta da companhia na viabilidade econômica de atividades produtivas fora da Terra nas próximas décadas. Em documentos enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), a empresa de Elon Musk classifica o espaço como a maior fronteira econômica da história humana, argumentando que a redução nos custos de lançamento viabiliza uma nova fase de expansão industrial.

A estratégia da companhia prioriza agora a Lua como etapa imediata, substituindo o foco anterior em Marte para alinhar-se ao horizonte de retorno esperado por investidores institucionais. Os planos incluem a extração de gelo para combustível, o aproveitamento de minerais, sistemas de energia solar na superfície lunar e a construção de fábricas de componentes eletrônicos e satélites. A SpaceX projeta ainda a implementação de um sistema de lançamento eletromagnético no satélite natural para transportar cargas sem o uso de foguetes.

O pilar central dessa infraestrutura é o foguete Starship. Projetado para transportar grandes volumes de carga e tripulação de forma recorrente, o veículo foca na reutilização e no reabastecimento em órbita para transformar o acesso ao espaço em uma atividade industrial de escala e frequência, reduzindo drasticamente os custos operacionais.

A viabilidade financeira desse ecossistema reside, em parte, na manufatura em microgravidade e vácuo, condições que eliminam impurezas e deformações causadas pela gravidade terrestre. A consultoria Sacra estima que a produção de medicamentos nessas condições possa movimentar US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) até 2030. No mesmo período, a fabricação de fibras ópticas ZBLAN teria um potencial de US$ 12 bilhões (R$ 61,2 bilhões), enquanto o mercado global de wafers de silício supera US$ 150 bilhões (R$ 765,2 bilhões). O turismo espacial, impulsionado pela redução de custos do Starship, deve atingir quase US$ 4 bilhões (R$ 20,4 bilhões) até 2032.

Outra frente de receita envolve a substituição da Estação Espacial Internacional (ISS) por plataformas comerciais privadas, que abrigariam laboratórios e centros de pesquisa. Paralelamente, a SpaceX planeja expandir a infraestrutura de inteligência artificial para a órbita a partir de 2028, criando centros de processamento de dados alimentados por energia solar. A arquitetura visa reduzir custos de refrigeração, dissipando o calor diretamente no espaço, e mira uma fatia do mercado global de serviços em nuvem, avaliado em US$ 200 bilhões (R$ 1,02 trilhão), com conversas já iniciadas com o Google.

Apesar do otimismo, a economia espacial global, que pode chegar a US$ 1,8 trilhão (R$ 9,18 trilhões) até 2035, enfrenta ceticismo quanto aos prazos. Projetos como a Moonbase Alpha — assentamento industrial lunar — e os data centers orbitais são vistos como metas de longo prazo, dependentes de avanços tecnológicos e operacionais. Por serem projetos medidos em décadas, tais iniciativas ainda não geram receitas concretas nos modelos financeiros atuais. Para a SpaceX, contudo, a exploração lunar é apenas um estágio intermediário para objetivos mais amplos, como a civilização Kardashev Tipo II.

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