Startup brasileira monitora mais de 25% da produção nacional de óleo e gás
A startup Shape Digital monitora ativos que processam mais de 25% da produção nacional de óleo e gás, gerando US$ 160 milhões anuais em produção adicional. A empresa triplicou seu crescimento em 2024 e expandiu operações para Houston, Guiana e contratos com companhias como ExxonMobil, Equinor, Petrobras e Prio. A tecnologia baseia-se em manutenção preditiva e inteligência artificial para reduzir custos de reparo e paradas operacionais
A startup brasileira Shape Digital monitora ativos que processam mais de 25% da produção nacional de óleo e gás, gerando uma estimativa de US$ 160 milhões em produção adicional anual para seus clientes. A empresa, que registrou crescimento triplicado em 2024 e projeta a mesma expansão para 2025, reduz custos de reparo em mais de US$ 1,5 milhão por planta ao ano e diminui em mais de 15% as paradas operacionais não planejadas.
Fundada em 2021 como uma spin-off da Modec — subsidiária do grupo japonês Mitsui e responsável por 30% da produção de petróleo no Brasil —, a Shape Digital desenvolveu sua tecnologia a partir da operação real de FPSOs no pré-sal. O carro-chefe da companhia é o Shape Lighthouse, plataforma de manutenção preditiva que integra variáveis de processo, inspeções, notas de manutenção e histórico de alarmes a uma biblioteca de equações de engenharia e mais de 200 modelos de inteligência artificial para antecipar falhas críticas.
A expansão da empresa levou à abertura de um escritório em Houston em 2025, viabilizando contratos internacionais. Na Guiana, a startup atua no bloco Stabroek com a ExxonMobil, projeto que atingiu a produção de 894 mil barris por dia em novembro de 2025. Já com a Equinor, a operação ocorre no campo de Bacalhau, onde o FPSO iniciou a produção em outubro de 2025 com capacidade de 220 mil barris diários, em consórcio com a ExxonMobil (40%), Equinor (40%) e Galp (20%).
No mercado brasileiro, a Shape Digital atende a Prio em três FPSOs e na Wellhead Polvo A, totalizando 380 mil barris por dia monitorados desde outubro de 2025. Na Petrobras, o sistema Lighthouse opera nos FPSOs Almirante Barroso (150 mil bbl/dia) e Anita Garibaldi (80 mil bbl/dia), além de uma parceria de P&D para o desenvolvimento de um Engenheiro Virtual. A TotalEnergies utiliza o Shape Aura no FPSO Cidade de Caraguatatuba, visando a redução de 5% nas emissões totais da unidade.
O portfólio da empresa inclui ainda o Shape Reef, focado em segurança de processo e gestão de riscos em tempo real, e o Shape Aura, voltado à eficiência energética. Em paralelo, a Shell, a Unicamp e a Modec estabeleceram uma parceria de 36 meses, financiada pela ANP, para criar novas metodologias de monitoramento de riscos via IA.
A estratégia de crescimento da startup baseia-se no volume de dados operacionais do Brasil, que detém entre 46 e 49 FPSOs ativos, representando cerca de 25% da frota mundial. Segundo o CEO Felipe Baldissera, a abundância de dados históricos no país é o diferencial para o treinamento de algoritmos e a precisão da biblioteca de modelos.
Tecnologicamente, a Shape Digital integra soluções da OpenAI e Microsoft para aplicar IA generativa, com o objetivo de reduzir falsos positivos nos alertas do sistema. Esse movimento ocorre em um cenário onde a América do Sul lidera a demanda global por FPSOs, com 15 projetos previstos até 2030, conforme dados da Rystad Energy. A inserção global da empresa foi reforçada pela participação de executivos no SXSW 2025 e a presença de Baldissera na CERAWeek 2025, em Houston.