Startup canadense transforma hashis descartáveis em materiais de construção e design de alto padrão
A startup canadense ChopValue recicla hashis descartáveis para fabricar materiais de construção e design, tendo processado mais de 283 milhões de unidades globalmente. A empresa utiliza microfábricas em oito países para transformar o bambu em placas de alta resistência. A operação evitou a emissão de 13,8 milhões de quilos de CO₂

A ChopValue, startup canadense fundada em 2016 por Felix Böck, opera um sistema de economia circular que converte hashis descartáveis em materiais de construção e design de alto padrão. A empresa já reciclou globalmente mais de 283 milhões de unidades, volume que, segundo a University of Toronto Mississauga, evitou que centenas de toneladas de resíduos fossem destinadas a aterros sanitários.
O modelo de negócio foca na transformação de um resíduo urbano massivo — estimado em 1,5 bilhão de hashis descartados semanalmente no mundo — em um compósito denso de madeira engenheirada. Através de tecnologia proprietária que utiliza calor e pressão, o bambu de alta qualidade, originalmente transportado da Ásia para uso único, é transformado em placas com resistência superior ao carvalho, dureza maior que a do maple e durabilidade equivalente à da teca.
Essa matéria-prima é aplicada na fabricação de mesas, painéis, revestimentos, peças de decoração e estruturas. A escala de consumo de material é significativa: a produção de uma única mesa de grande porte demanda cerca de 10 mil hashis, enquanto itens menores utilizam centenas de unidades.
Para viabilizar a operação e reduzir custos logísticos e emissões, a ChopValue implementou um sistema de produção descentralizado por meio de microfábricas urbanas. Essas unidades ficam localizadas próximas aos pontos de coleta — como aeroportos, universidades, praças de alimentação e restaurantes —, onde o material é higienizado, seco e prensado. Atualmente, a companhia possui operações no Canadá, Estados Unidos, México, Japão, Singapura, Filipinas, Malásia e Reino Unido.
O impacto ambiental do projeto reflete-se na redução de emissões equivalentes de CO₂, que somam 13,8 milhões de quilos desde o início das atividades, ao mitigar a necessidade de derrubada de árvores e diminuir o transporte internacional de mobiliário. O desempenho do material e a sustentabilidade do processo atraíram a atenção de escritórios, hotéis, restaurantes e do programa IKEA Social Entrepreneurship.