Startup indiana patenteia motor elétrico que não utiliza ímãs de terras raras
A startup indiana Vimag Labs patenteou o Motor Síncrono de Ímã Virtual (VMSM), que substitui ímãs de terras raras por algoritmos e eletrônica de potência. A empresa captou 5 milhões de dólares e firmou acordo com a Jendamark para produzir sistemas de 200 kW a 600 kW
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A startup indiana Vimag Labs, sediada em Bengaluru, patenteou um motor elétrico que dispensa o uso de ímãs de terras raras, componente essencial para a propulsão de veículos elétricos e atualmente sob forte domínio chinês. A tecnologia, denominada Motor Síncrono de Ímã Virtual (VMSM), substitui os ímãs fixos no rotor por algoritmos de controle e eletrônica de potência para gerar e gerenciar o campo magnético em tempo real, mantendo a ausência de anéis deslizantes e escovas.
A inovação surge em um cenário onde a China detém, em 2024, aproximadamente 91% do refino e separação global de terras raras e 94% da produção de ímãs permanentes sinterizados. Embora Pequim possua apenas um terço das reservas mundiais do minério, o controle quase total do processamento industrial confere ao país uma posição geopolítica estratégica sobre a cadeia de suprimentos automotiva ocidental.
Desenvolvimento e Expansão Industrial
Fundada em setembro de 2025, a Vimag Labs captou 5 milhões de dólares em financiamento e já soma cinco patentes concedidas na Índia, com outras dez em processo de tramitação e quinze marcas registradas. O projeto é fruto de mais de 87.600 horas de engenharia, segundo Manish Seth, CEO e cofundador da empresa.
Para viabilizar a escala de produção, a startup firmou um acordo de fabricação com a Jendamark. O objetivo é fornecer sistemas industriais com potência entre 200 kW e 600 kW, além de expandir a aplicação da tecnologia para os setores de:
* Defesa;
* Robótica;
* Refrigeração;
* Veículos de duas e quatro rodas.
A Vimag Labs afirma que sua plataforma apresenta desempenho equivalente ou superior aos motores síncronos de ímãs permanentes (PMSM), embora tais índices ainda dependam de validação independente em larga escala.
Alternativas ao Domínio de Terras Raras
A busca por motores independentes de materiais críticos envolve diversas gigantes do setor automotivo e startups globais:
- Tesla: anunciou em 2023 a intenção de eliminar terras raras na próxima geração de motores, sem data definida para produção.
- General Motors e Stellantis: apoiam a Niron Magnetics, que desenvolve ímãs de nitruro de ferro sob a marca "Clean Earth".
- Valeo: desenvolve o motor "iBEE", com previsão de comercialização para 2028.
- Honda: investe na Enedym, focada em motores de reluctância comutada.
- Jaguar Land Rover: aposta na reciclagem de ímãs de terras raras para mitigar a escassez.
Atualmente, motores de indução de corrente alternada ou motores com escovas — utilizados por marcas como a BMW — já eliminam esses materiais, porém não atingem o equilíbrio de autonomia, manutenção e eficiência proporcionado pelos motores PMSM. O desafio técnico reside em transpor a eficiência de laboratório para a viabilidade de custo e durabilidade necessária para a fabricação de milhões de unidades.